Estou escrevendo um romance. Há anos tenho uma ideia geral sobre o que gostaria de escrever, mas não conseguia colocar no papel. Algumas vezes tentei e o resultado morria lá pela trigésima página.
“Ah, então é só fazer um conto grande”.
Não, não é. Primeiro porque a diferença entre romance e conto não está no tamanho, mas na maneira como a história se constrói. Um romance apresenta vários conflitos, o que geralmente requer uma extensão maior de texto para desenvolver. Um conto, por outro lado, atualmente tem mais a ver com o retrato de uma cena, de um acontecimento, de uma situação na vida. A definição de conto mudou historicamente, então há alguma confusão ainda sobre isso. O que era conto antes do século XX já não é mais o que é considerado conto hoje em dia. Um dia pesquiso certinho e trago essa explicação.
“Ah, então é só fazer uma novela. Pequena.”
Não, também não é. A novela, em oposição ao romance, se define por possuir apenas um conflito central, por isso tipicamente se desenrola em menos páginas.
A história que planejo contar possui vários conflitos que se desenrolam no enredo. Atualmente estou trabalhando com o título Três Amantes, já que minha trama envolve três personagens que, entre outras coisas, amam.
Eu decidi começar a série sobre escrita criativa depois de perceber que o texto não iria ao papel por mágica. Muito pelo contrário, exigiria um planejamento extenso da minha parte. Com isso em mente, comecei a rascunhar as cenas, as sequências, os conflitos e, em particular, as personagens. Como um bom livro é coerente e verossímil, era necessário planejar direito. No meu plano inicial, as personagens simplesmente não fariam as coisas que a história pedia delas. O que eu fiz? Reformulei as personagens, o que por sua vez modificou radicalmente a compreensão que eu tinha da minha própria história.
Eu estou apaixonado pelo processo.
Estar apaixonado pelo ato criativo ajuda muito quando bate aquela sensação de que sou uma fraude e de que não sei o que estou fazendo. Quando as coisas fluem e dão prazer, é mais fácil lembrar de que sou bom no que faço.
Como vim para São Paulo em 2014 com objetivos muito claros, perder tempo chorando pelos meus medos só serviria para atrasar meus projetos. Por sorte, tenho bons amigos que me acompanham e dão força nessa jornada. Além disso, me resguardo num certo posicionamento zen e digo a mim mesmo quando começo a esmorecer: Tales, lave a louça.
Minha professora sempre diz: pode tudo, só não pode ficar parado.
Não farei promessas sobre como as coisas seguirão. O texto de hoje foi apenas um relato breve de algumas coisas que pensei e escrevi aqui no site desde que comecei essa jornada (mas na verdade verdadeira, foi só uma desculpa para reunir em um post os links para os principais textos publicados até agora).
Obrigado a quem me acompanha nesta jornada!