Depois de sábado, fiquei ressabiado com a possibilidade me enfiar em cursos que não me agradassem.
Isso não é difícil de acontecer, basta que o professor tenha uma abordagem pedagógica diferente da que me interessa, ou que o conteúdo oferecido não corresponda ao programado. Ambas as coisas aconteceram no sábado.
Ontem, contudo, foi diferente.
Aliás, ontem a professora comentou que uma boa história precisa ter conflito. Um conto em que tudo vai bem é um conto chato. Paciência, então, pois o texto de hoje será chato (mentira, tem um pouquinho de conflito).
A sala de aula retangular tinha uma daquelas mesas de reunião com quase vinte lugares, enorme enorme. Todos sentados e ninguém de costas para ninguém, no máximo de lado. A professora, uma louca no melhor sentido possível: falava alto, ria gostoso, se mexia com energia. A vida pulsava ao redor dela. Os colegas, todos pareciam tão apaixonados quanto eu por escrita criativa.
Por duas horas senti-me entre pessoas que não apenas sabiam o que queriam, como queriam a mesma coisa que eu e compartilhavam meu tesão por isso. Nos encontraremos novamente hoje, amanhã e depois de amanhã. Já troquei palavras e contatos com duas pessoas, espero conhecer melhor os demais nos encontros que seguirão.
Diferente de sábado, não fui tomado por uma sensação de ser uma fraude mesmo quando questionado pela professora e mostrado equivocado em uma interpretação que fiz. Lemos um texto e eu imaginei um personagem que não se sustentava no próprio texto (e não há nada além do texto, sinto muito se a Rowling diz que o Dumbledore era gay; não escreveu, não aconteceu). Erro meu. Contudo, não me senti mal com haver errado, mas extasiado por estar descobrindo coisas novas sobre minha habilidade de leitura.
Ontem eu aprendi coisas, uma sensação prazerosa demais.
São Paulo pode ser uma cidade louca e assustadora, mas ontem à noite fiquei com a sensação de que estou no lugar certo, um passinho mais próximo da vida que imagino para mim.