A primeira noite sozinho

Há muito tempo eu não dormia sozinho. Em Goiânia, eu e meu (atual ex) namorado dormíamos juntos praticamente todas as noites. Desde que cheguei em São Paulo, estive hospedado na casa de um bom amigo e dividindo com ele a cama de casal.

Ontem não.

Dormi sozinho pela primeira vez no quarto que, se tudo continuar como está, será o meu lar pelos próximos tempos.

Não foi um sono muito fácil. Dormi relativamente bem, mas com um constante sentimento de solidão. Ter dormido aqui hoje parece confirmar essa viagem na qual me meti: agora é real. Até então era férias, diversão, viagem, passeio, qualquer coisa. Agora é real, agora a vida está me perguntando para onde vou.

Os objetivos para 2014 começaram.

Com base neles, preciso arranjar estratégias para conviver com o barulho da construção justo na minha janela, várias britadeiras o tempo inteiro britando meus pensamentos.

Também se faz necessário organizar meu próprio tempo numa cidade que faz muitos convites. É fácil perder-se no deslumbramento. Eu sei o que vim fazer, mas também sei que a experiência é a base para a criação literária. Como encontrar um caminho do meio?

Preciso comer, morar, transitar, coisas que em São Paulo não são baratas. Sim, existem opções acessíveis, mas mesmo o acessível exige algum dinheiro, alguma troca, e no momento não estou envolvido em nenhum tipo de atividade que me pague o que quer que seja. É algo a ser resolvido com urgência.

Acima de tudo, sinto falta da vida que tinha e o peso das vidas que poderia ter. Não é inteligente dedicar muito tempo a esses pensamentos, eu sei, mas sou um imaginador e não me furto de vislumbrar como poderia ser a vida se, ao invés de dizer “estou indo”, eu escolhesse “decidi ficar”.

Estar em trânsito nos mostra quem a gente era quando parados. Algumas manias que eu acreditava minhas já desapareceram, algumas percepções novas estão surgindo. O ato de conviver tem me relembrado como quero ser.

 

São Paulo está começando agora.