Um registro narrativo da Creative Mornings: Riscos

Imagina uma casa grande, cheia de salas bem iluminadas e com decoração alternativa – estilo agência – no meio de Pinheiros, pertinho do metrô. Daí tu coloca dentro dessa casa um bando de gente cheia de energia para tocar projetos empreendedores e propõe uma conversa a partir da palestra de alguém foda. Foi isso que eu vivi hoje de manhã.

O Creative Mornings é um projeto internacional com um propósito bacana: reunir pessoas uma vez por mês para se conhecer e trocar ideias sobre temas legais. Hoje, por exemplo, o tema era risco, e a palestrante foi Cris Gonçalves, uma mulher que já capitaneou o marketing da Coca-Cola em Porto Alegre, em São Paulo e no Rio de Janeiro e que depois se arriscou a tomar outros rumos e agora se envolve com projetos ligados à educação e inovação em negócios.

A Cris contou um pouco de sua história, suas idas e vindas e como a mudança sempre esteve presente em sua vida. Com a mudança, também o risco, que ela apresentou de duas formas: o risco de dano físico e o risco do insucesso. Do dano físico, falou pouco, porque o que lhe interessou trazer para a sua fala foi o medo das coisas não darem certo, um fantasma que ronda todo mundo que se propõe a fazer coisas diferentes.

Já escrevi algumas vezes sobre esse medo, que muitas vezes toma a forma da síndrome do impostor.

Para lidar com a insegurança, a Cris sugeriu que cultiva as borboletas que sente voando no estômago. É aquela história: o medo vai estar sempre por perto; se é assim, por que não o convidar para um chá?

medo tomar chá síndrome impostor

Você não pode se livrar dos seus medos… mas pode aprender a viver com eles. – Mais chá?

Mas como fazer para viver bem com a sensação constante de que as coisas podem dar errado? Conversando com minha amiga, responsável pela linda facilitação gráfica do evento, chegamos à conclusão de que sempre teremos problemas – a possibilidade de algo dar errado é um deles. Contudo, devemos escolher quais problemas estamos dispostos a tolerar e quais são grandes demais para nós.

Para mim, hoje, o problema de sair da cama no frio, pegar metrô lotado e conversar com pessoas desconhecidas me pareceu mais atraente do que continuar sem conversar com seres humanos – sempre fui meio isolado da vida, mas ultimamente tenho me superado.

Para quem tem medo de mudar porque as chances de insucesso parecem muito grandes e as consequências, monstruosas, podemos apelar para uma reflexão racional. A Cris trouxe um dado incrível, daquelas pequenas pérolas invisíveis de tão óbvias: se vivermos até os 80 anos e tirarmos 1 ano para arriscar, isso significará apenas 1,25% da nossa vida. É um preço pequeno, convenhamos.

Foi arriscando na base do 1,25% que a Vivian Dall’Alba, minha amiga facilitadora gráfica (e designer, publicitária, questionadora, feminista, empreendedora…), chegou até o Creative Mornings. Ela fez um curso aqui, outro ali, passou a vender canecas com desenhos lindos e logo se deu conta de que gostava de transformar experiências em desenhos para que outras pessoas pudessem aprender com eles. Fez um registro gráfico aqui, outro ali, conheceu gente boa e acabou sendo convidada pela Mariana, host do Creative Mornings em São Paulo, para facilitar o evento de hoje.

Apoio é um dos pontos que a Cris destacou como importantes na hora de enfrentar riscos. A gente não vive sozinhos e não precisamos – nem sei se podemos – nos virar apenas com o que temos nos bolsos. É para isso que servem familiares, amigos, colegas, clientes. Eles formam uma rede de segurança. Se a gente cair, tem quem nos sustente para que do chão a gente não passe.

Vivian DallAlba facilitação gráfica creative mornings

Para finalizar, um último conselho da Cris Gonçalves: medos são histórias que contamos para nós mesmos. Somos nós que sustentamos ou eliminamos as narrativas que guiam nossa percepção de mundo. Tudo o que a gente precisa é percebê-las e então fazer alguma coisa para que elas sejam diferentes. Se for algo muito difícil de fazer por conta, me chama pra tomar um suco e vamos conversar sobre isso!

7 comentários em “Um registro narrativo da Creative Mornings: Riscos

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