Estou na casa de um amigo aqui em Goiânia nesses meus últimos quatro dias de Goiânia. O apartamento dele é maravilhoso: vigésimo sexto andar, uma sacada gigante com uma vista fabulosa, muitos livros e DVDs para distrair a vida e toda sorte de conforto que uma pessoa puder imaginar. Tudo perfeito, exceto por um detalhe.
A internet é lenta.
OK, um pouco de perspectiva. Há dez anos, eu acharia essa velocidade o máximo. Hoje, porém, ela é dez vezes menor do que eu tinha na minha casa.
Injuriado com um download que não terminava (e que trancava toda a rede e tornava até o Facebook inavegável), fiquei olhando a cidade pela sacada e pensando no que de fato eu estava perdendo.
Explico: eu uso a internet para conversar com pessoas, descobrir informações e baixar músicas, filmes, seriados e programas. Meus usuais 10 megas faziam tudo isso muito bem. Ocorre que, com essa velocidade bacana, eu também ficava horas e horas morgando na internet sem fazer nada de especial, só esperando a vida acontecer.
Porém, a vida não acontece se estamos parados.
Estou considerando, nesse momento de mudanças, o que eu realmente perderia se não tiver mais essa velocidade toda. Seriados, filmes? Existem outras maneiras de obtê-los, tenho certeza, e mesmo que não haja, eu realmente preciso ser capaz de baixar tudo a qualquer momento? Será que as vidas imaginadas por roteiristas e diretores e vividas por atrizes e atores serão sempre tão mais interessantes do que a minha própria?
Nesse meu projeto de mudanças na vida, quero ser mais rueiro, conviver com mais pessoas.
Talvez isso signifique menos internet, menos sites para ler todos os dias, menos seriados para acompanhar diariamente, menos tempo dedicado a ficar sentado numa cadeira em casa.
Quando fiz meus planos para 2014, diversas vezes considerei incluir uma restrição ao uso da internet. Preferi não fazer isso por achar que talvez eu não conseguisse cumprir. Confesso que estou aliviado em perceber que a própria vida está desenhando caminhos para tornar isso possível.