A despedida

Por que os sentimentos reais são sempre mais fortes do que os imaginados? Quando me propus a sair de Goiânia, já sabia que a despedida seria o momento mais difícil de todos, mas acreditava que talvez não doesse tanto.

Eu estava errado.

Descobri o tamanho do meu erro enquanto as lágrimas corriam mundo afora. A gente sabe que um sentimento é de verdade quando não está nem aí para quem possa nos ver de olhos vermelhos, mãos trêmulas e desejo incontido. Abraçando meu namorado, a existência das outras pessoas era irrelevante – da mesma maneira que tantas vezes foi em nossos minutos mais felizes.

Nos dias anteriores à minha partida já pairava entre nós um ar que misturava o desejo pela felicidade e a melancólica certeza de que uma bonita história escrita ao longo de um ano e um mês estava prestes a encontrar um ponto final.

Não sei se existe um término de namoro tão ruim quanto terminar tudo bem, ainda amando. A gente sabe que a pessoa está lá e não há espaço no coração para alimentar outros sentimentos – até mesmo ódio, que fosse! – no lugar de todo o carinho cultivado.

Mesmo sabendo que dentro de poucos dias já não estaríamos juntos, continuamos compartilhando abraços, beijos e sorrisos tanto quanto conseguimos.

Não sei se, caso estivesse no lugar dele, eu conseguiria lidar com a situação. Gosto de pensar que sim, que sou uma pedra de gelo e que sentimentos são coisas mundanas que não me afetam, mas isso obviamente não é verdade.

O ano de 2013 foi lindo por inúmeras razões: eu tive meus primeiros contos publicados, aprendi muito sobre como ser professor e descartei caminhos futuros que já não contemplavam meus desejos. Acima de tudo isso, namorei um moço lindo que me deu força e inspiração para enfrentar esses momentos.

Em um único abraço, ontem no aeroporto, estava contida a energia de mais de um ano de companheirismo e cuidado.

Treze meses de amor.

Quando o vi partir, então, a dor finalmente pareceu real. Até então podia passar, podia ser uma piada, um sonho, uma ideia louca mudada de última hora. Fiquei lá sentado no banco de espera do aeroporto, meu voo atrasado, o relógio já gritando que estava tarde para meu digníssimo voltar para casa. Após nosso último abraço, vi-o caminhar rápido para longe encolhido nos braços de um bom amigo.

Nas horas seguintes, meu olhar voltava-se sempre para a porta do aeroporto. Ele vai voltar, eu pensava, exatamente como num filme.

Por eu haver decidido partir, ele não voltou.

Agora estou em São Paulo escrevendo. Tenho a sorte de colecionar pessoas maravilhosas ao meu redor. Viajei acompanhado, fui recepcionado no aeroporto e depois no apartamento no qual estou me hospedando. São pessoas queridas que me afetam e dão força para que eu seque as lágrimas e encontre meus caminhos.

Eu sei que essa dor em algum momento se tornará memória, uma lembrança querida de um presente em forma de pessoa que recebi da vida.

Saber disso não alivia o que estou sentindo.

Há uns dois meses, meu namorado disse-me que eu tinha a obrigação de alcançar meus sonhos.

Hoje eu não poderia concordar mais.