Em 2010 eu tinha uma opinião muito objetiva sobre suicídios. Pensava que valia mais a pena viver e causar um impacto na realidade do que largar tudo e abraçar a morte. Com o passar do tempo, fui relativizando isso e entendendo que a dor de cada um é diferente e atinge a cada um em diferentes intensidades.
Domingo, meu colega de apartamento pulou da janela e morreu. Ontem foi o enterro.
Sua morte marca o final de uma etapa que mal havia começado.
Minha experiência aqui neste apartamento estava sendo muito positiva, mas não poderá continuar. Em concordância com os demais moradores, estabelecemos um prazo para procurarmos um novo espaço. Há muitas questões em jogo para que queiramos continuar aqui.
Em meio a isso, vou percebendo uma certa serenidade se aproximar.
O fim de semana foi muito corrido e cheio de dores. Algumas dúvidas novas surgiram e pelo menos uma certeza indesejável se confirmou.
Mesmo assim, estou calmo.
Acharei um novo lugar para morar. Firmarei novas amizades. Voltarei a escrever diariamente.
Para quem vive, a morte não é um ponto final. É uma vírgula, talvez um ponto e vírgula, quem sabe dois pontos. A vida continua e é assim que tem que ser.