Alguns feitos marcam nossas vidas e é natural que nos apeguemos a eles. Quando cheguei em São Paulo, eu era o gaúcho que morou quatro anos em Goiânia. Então, fui o escritor que lidou com suicídios. Depois, o cara que não lida direito com abraços coletivos. Hoje, sou o idealizador do Ninho de Escritores.
Mas criei o Ninho de Escritores há um semestre. Deixou de ser novidade.
Eu não quero que, no início de 2016, eu ainda seja apenas o cara que idealizou o Ninho de Escritores. Para isso, resolvi adotar uma prática que ouvi durante uma palestra: só vou contar histórias sobre acontecimentos dos últimos 90 dias.
Três meses. Passou disso, virou história guardada. O objetivo dessa regra? São dois: (1) garantir que eu não fique preso às mesmas narrativas encantadas sobre quem eu sou, e (2) me obrigar a viver novas experiências, de modo a ter sobre o que falar.
Três meses é muito tempo, mas facilmente pode virar mais do mesmo. O desafio será levar uma vida tão interessante que se baste para cumprir o requisito de gerar histórias novas para mim e para quem me lê.
Se quem tu é fosse definido pelos últimos 90 dias que tu viveu, qual seria a tua imagem? 🙂
