Olhe nos olhos

Dica rápida sobre como cativar as pessoas: olhe nos olhos. É de graça e causa uma puta boa impressão.

Sabe o que não causa uma boa impressão? Chegar em um círculo de pessoas já conversando, fazer um estardalhaço dizendo oi e, por mera convenção social, sair cumprimentando a todos.

Ah, mas é legal cumprimentar, mostra respeito e tal. Não? Não quando tu estica a mão e olha para o outro lado, sem nem se importar com quem está apertando tua mão. E é uma coisa constrangedora porque quem está recebendo a mão, aquele apêndice humano desejoso de atenção, precisa decidir em milissegundos o que fazer. A reação normal é apertar aquela mão descontextualizada e aguardar que o dono dê uma rápida passada de olho para confirmar que não tem nada mais a fazer ali.

De vez em quando a mão vem acompanhada de um nome disparado no ar. O que é meio agressivo, se a gente parar pra pensar, porque funciona como “aqui tá meu nome, tu pode achá-lo interessante, mas nem perde tempo me dizendo o teu porque não quero saber”. A verdade é que a pessoa realmente não quer saber, o que pelo menos rende alguns pontos de autenticidade.

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Ocorre que todo ser humano lê o mundo a partir de como o mundo o faz sentir.

Ou seja, se o cara me fez sentir ignorado ou diminuído, para nem dizer desprezível, eu não vou gostar dele. Ele pode vir falar comigo depois, perguntar meu nome, até mesmo mostrar interesse, mas a primeira impressão já estará perdida – aquela impressão fundamental que vai basear todas as minhas leituras subsequentes desta criatura.

(O pior é que eu não terei consciência de que não gosto dele porque ele me fez sentir mal. O mais provável é que eu invente uma desculpa que torne essa leitura de mundo coerente e justificável.)

Se tu te dá ao trabalho de cumprimentar alguém, não custa olhar a pessoa no fundo dos olhos e efetivamente prestar atenção ao nome dela. Um sorriso também pode acompanhar. Talvez tu esqueça o nome da criatura um segundo depois – outro dia podemos conversar sobre como isso é um sinal de que tu não está dando importância para ela –, mas pelo menos tu não terá feito com que ela se sinta desimportante.

Não quer ter que olhar as pessoas nos olhos? Pois veja que bonito: ninguém é obrigado. Tu pode não cumprimentar e ficar no teu canto, e todos nós saberemos que tu é socialmente acanhado. E tudo bem, porque muita gente é tímida e acha difícil se apresentar a pessoas desconhecidas. Para essas pessoas – eu incluso –, ficar sem assunto é um dos piores tormentos da existência.

Ou tu pode continuar cumprimentando enquanto olha para o outro lado. Quem sabe até enquanto fala com outra pessoa do outro lado da sala, porque afinal de contas está apenas cumprindo protocolo. Mas saiba que tu está fazendo alguém se sentir mal. Ou, o que é mais provável, várias pessoas em sequência. E isso diz muito sobre ti.

2 comentários em “Olhe nos olhos

  1. Caramba, belo texto. Nunca tinha percebido nisso e, de fato, já tive várias primeiras impressões ruins sem saber o porquê de fato. Talvez muitas se deem pelo simples olhar desviado, despretensão social. E digo por mim mesmo, que sou tímido e peno muito a olhar alguém diretamente. Obrigado por abrir essa ideia ao mundo.

    • Também sou tímido, Danilo, e muitas vezes acabo não interagindo com as pessoas por um receio bobo do que podem pensar de mim. Mas desde que decidi olhar nos olhos das pessoas e prestar atenção a seus nomes, as interações ficaram um pouquinho mais fáceis :p

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