O retorno de uma velha inimiga

Eu já havia esquecido que ela acompanhava cada um dos meus passos. Costumo dizer que a minha trajetória é uma de muita sorte, pois são poucos os inimigos que cultivei ao longo dela.

Correção: eu não cultivo inimigos, embora pelo menos uma pessoa faça questão de alimentar seu ódio por mim (uma história para outro dia).

Então numa insuspeita quinta-feira, acordei com dor de cabeça. Havia dormido tarde na noite anterior falando no telefone até altas horas, descamisado na janela com ventinho gelado. É cansaço, talvez uma gripe, pensei. Como levantei um pouco cedo, bastaria-me descansar melhor para recuperar o vigor.

Quando fui almoçar e no lugar do apetite quem veio foi a ânsia de vômito, comecei a ficar verdadeiramente preocupado.

O resto do dia foi um tributo à cama.

Não levantei para nada, fiquei jogado no sofá e depois na cama. Deitei às 19h após um Tylenol comprado pelo meu amigo de apartamento (aquela pessoa que cruza a fronteira entre amigo e colega de apartamento) para acordar às 9h do dia seguinte.

Eu já estava melhor, em partes, mas não perfeito. Escovando os dentes pela manhã, fui atingido pela constatação de quem era a causadora das minhas aflições.

Por quase quatro anos, período em que morei em Goiânia, ela estivera escondida. Ainda que sempre visível, restava sem poderes para me atingir dado o clima seco do Centro-Oeste. Minha chegada ao úmido Sudeste devolveu à minha amigdalite o poder de me ferir. Na primeira oportunidade, fui presenteado com dor de cabeça, dor no corpo e febre alta.

Há uma solução de alguma forma permanente: cirurgia.

Em Goiânia eu já não nem lembrava dela. Porém, considerando que em Porto Alegre eu tinha uma crise por mensal exatamente como a desta semana, minha qualidade de vida está em risco.

Talvez seja o momento de enfrentar a faca…