Conviver é um desafio

Nos últimos dias tenho refletido muito sobre a difícil tarefa que é conviver com outros seres humanos.

De 2010 a 2013 eu vivi praticamente todo o tempo morando sozinho em um apartamento no centro de Goiânia. Houve um curto período em que morei com mais três rapazes em uma casa, uma experiência que gerou alguns traumas de relacionamento.

Foi nesta casa, por exemplo, que entendi por que dizem que não devemos nos relacionar sexualmente com nossos colegas de quarto (o que só é um problema por causa da maneira romantizada, sacralizada ou demonizada com que pensamos sobre o sexo). Eu estava enfrentando a minha primeira experiência numa cidade nova e também em uma casa que não era gerenciada pela minha família, ou seja, que não tinha entre suas prioridades atender às minhas necessidades.

Eu agi como um garoto mimado.

O resultado foi desastroso. Meus primeiros meses em Goiânia foram perturbadores. Eu me sentia mal dentro de casa e evitava fazer qualquer coisa que incluísse cruzar com os demais moradores.

Desde que passei a morar sozinho, em agosto de 2010, disse para mim mesmo que jamais dividiria uma habitação novamente (exceto eventualmente com a família).

Bem, agora eu estou num apartamento dividido com mais três moços. Uma desconcertante semelhança com minha chegada a Goiânia, devo dizer.

Conviver é difícil não porque as pessoas são chatas, indisponíveis ou inconvenientes. Poderiam ser e isso tornaria tudo pior, mas certamente não é o caso.

Conviver é difícil porque me obriga a considerar não somente as minhas vontades. O terreno é dividido pelos interesses e ações de outras pessoas e não há espaço 100% neutro.

Isso não torna a casa um campo de guerra, de modo algum. Na realidade, a casa dividida é um espaço de negociações, um jogo contínuo de diplomacia que envolve considerar a medida dos meus interesses e desgostos em relação aos desejos e incômodos dos outros.

Fazemos isso diariamente com as pessoas que encontramos na vida, mas parece-me inegável que a partilha de tempo e espaço de quem convive sob um teto é infinitamente maior.

Conviver é um desafio porque nos força a lidar com questões que de outra forma simplesmente fugiríamos.

Para conviver e ser feliz, preciso aprender a assumir publicamente quem eu sou e quero ser. Acho que o que me incomoda é a perspectiva de alguém me conhecer e não gostar.

Maldita síndrome de querer agradar a todo mundo…