Ontem um comentário do Felipe me alertou para algo que volta sempre aos meus pensamentos: nessa corrida para abolir a monogamia, posso estar sendo apressado e quebrando pontes.
Ele disse:
pois é….eu concordo com você. nenhuma relação deve ser uma prisão. De qualquer forma, fica um alerta: cuidado para não ser a prisão da poligamia.
digo isso por conta do seu comentário; “Não é fácil, pois sempre que começo a conhecer alguém legal, preciso me encher de coragem e dizer “olha, eu não estou atrás de namoro convencional, tudo bem?”. você não precisa dizer isso logo de cara, deixa a relação se construir tijolo por tijolo antes de colocar a plaquinha da poligamia!
Não é pretensão demais minha chegar já dizendo o que e como eu quero?
Por esses dias estava conversando com um moço legal e inteligente. Nos conhecemos num desses aplicativos de pegação gay. Em certo ponto fiquei com medo que ele pudesse querer namorar comigo (repito: sequer havíamos nos conhecido ainda) e falei a ele que essa não era uma possibilidade.
Pausa para engolir a minha arrogância.
Essa seria uma história engraçada de contar se fosse a única vez que fiz algo assim. Não foi. Tem sido quase um mantra que repito a mim mesmo e aos outros. Não quero namorar. Não quero namorar. Não quero namorar.
É como se eu quisesse construir um barco antes de ver o rio. Nem todo barco serve para todo rio, nem todo rio precisa ou suporta um transatlântico.
O que venho buscando é alguma segurança sobre o que eu quero. Isso vem das minhas experiências anteriores, óbvio. Ser atraído pela fragilidade emocional alheia diz muito sobre a minha própria insegurança.
Estar com alguém que se torna dependente é muito seguro, mas acaba fazendo mal a mim (que me sinto preso) e à pessoa, porque quando parto destruo o mundo perfeito imaginado por ela.
Aqui vale retomar o que falei lá nos meus objetivos, onde escrevi:
Quero ter certeza de que um namoro (monogâmico) é baseado em estar só com uma pessoa porque eu verdadeiramente quero isso e não porque as regras do relacionamento obrigam que seja assim. Quero destruir qualquer possibilidade de ciúme, essa praga nas relações humanas. Quero amar porque sinto amor, não porque é minha obrigação de namorado.
Nesse meu medo de entrar em prisões, posso estar me prendendo de novo. Ainda bem que os amigos em volta alertam: Tales, para com isso e vive.
Conhece o rio primeiro e depois constrói o teu barquinho, raposa.
Daqui para frente acrescento um novo objetivo para 2014: parar de me definir. Que minhas ações o façam, no lugar de palavras, teorias e imaginações de futuros perfeitos.
Minha proposta agora é viver com leveza, abraçar o lado zen da vida.
Será que eu consigo?
