16 projetos empreendedores criados em apenas um mês

Empreendedorismo parece coisa de outro mundo, mas não é. Inclusive, dá para lançar um projeto novo em apenas um mês. Ou dezesseis projetos, como pude acompanhar dia 11 de fevereiro.

Começou com um convite misterioso. “Tales, dia 11 de fevereiro vou lançar um projeto. Reserva a data, tá?”. Perguntei que projeto, sobre o que se tratava, o que seria, quantas pessoas, onde, como, por quê… E nada. Minha amiga havia se inscrito no Launch, curso para empreendedores pararem de mimimi e lançarem seus projetos em um mês, e somente depois de algumas conversas comecei a entender o que esperar desse evento.

launch

Eu já conhecia o Larusso, professor do Launch, por causa do Estaleiro Liberdade, curso de empreendedorismo que fiz e que mudou a minha vida. Foi lá que criei o Ninho de Escritores, projeto que hoje dá sentido a praticamente tudo o que eu faço em termos de trabalho.

Por conhecer o Larusso, carinhosamente apelidado de “pequeno Buda”, eu sabia que veria algumas criações bem legais no dia 11. A promessa do encontro era lançar os dezesseis projetos cultivados no mês de janeiro.

Spoiler: com diferentes níveis de maturidade, a promessa foi cumprida.

16 projetos

O evento foi marcado numa tal de Casinha 64, que também é o projeto da Paola. Casinha, coisa fofa, acolhimento, espaço aconchegante, essas foram algumas das ideias que cruzaram minha cabeça ao ler o nome. Quando vi o endereço, nem tanto. Dois metrôs e um trem depois, cheguei à estação Villa-Lobos. Avenidas movimentadas, a noite chegando, que lugar fedido! Cruzamos duas ruas e chegamos a uma imponente portaria do que parecia ser um conjunto residencial de luxo. Mal sabia eu que estava prestes a ingressar num universo paralelo. Que cheiro, que trem, que nada! Minha primeira pergunta foi “como eu faço pra morar aqui?” (o que é irônico, porque moro perto do Paraíso, mas me senti mais no céu lá do que aqui).

O projeto da Paola envolve receber e acolher eventos na Casinha (em que o diminutivo vale apenas pelo efeito fofura e conforto, nunca pelo tamanho ou tamanho do espaço), além de oferecer sua experiência como publicitária na preparação de eventos. Minha breve passagem pela Casinha sugere que ela escolheu trabalhar com algo que sabe fazer bem.

Depois de me acostumar com o espaço fabuloso, pude me dedicar a conhecer os projetos dos demais participantes do Launch. Alguns inevitavelmente dialogaram mais com minha experiência de vida do que outros. Foi o caso do projeto apresentado pela Nara, chamado Dream’nDo, um braço do Dream’nGo dedicado a conectar estudantes e ONGs, de modo a aproveitar a mão de obra tipicamente inutilizada dos universitários para lidar com problemas reais enfrentados pelas organizações. Também dentro da Dream’nGo, a Priscila trouxe a proposta de criar notícias que não sejam quadradas, incluindo um toque literário nelas e mostrando o lado humano e invisível dos processos. A Sara, por sua vez, propôs escrever notícias para mudar o mundo, elaborando uma plataforma de notícias para ONGs e voluntários divulgarem suas ações. Desta maneira, outras pessoas descobrirão caminhos possíveis para contribuir em questões sociais.

As histórias foram o ponto forte das apresentações e das propostas. Eduardo Tani sugeriu a criação de um site a partir do qual professores e familiares poderiam aprender a educar crianças com autismo. Chamado Histórias Especiais, o projeto visa à inclusão social por meio da tecnologia e do uso de “histórias sociais”, uma metodologia desenvolvida por Carol Gray. Luís Paulo, outro dos empreendedores em formação, é designer de produtos e decidiu se empenhar em mostrar às pessoas quais histórias estão por trás dos objetos. Leandro, mais conhecido como Malhado, ganhou na Índia um caderninho no qual passou a anotar os sonhos das pessoas que encontrava durante suas viagens. Como projeto, ele criará outros caderninhos e explorará as possibilidades de interações mediadas pelos sonhos de cada um.

Mas não só as histórias que as pessoas contam forma destaque; os empreendedores também exploraram as histórias que vivem e desejam compartilhar. Robison, que passou a infância e adolescência em um motorhome, encontrou uma maneira de compartilhar suas experiências e influenciar os demais (mas ele pediu para não divulgar, então é segredo!). Denize, que busca corações em lugares inusitados e luta contra o lixo espalhado irresponsavelmente pelas cidades, compartilha suas histórias em troca de um cafezinho. Thomas, fotógrafo viajante, percebeu o tempo gasto por turistas tirando fotos – em detrimento de aproveitar os lugares – e criou um site para fotógrafos-guias, de modo a possibilitar que turistas vivam os espaços que visitam sem a preocupação em (se) fotografar.

Assim como a Paola, da Casinha 64, outros empreendedores criaram seus projetos a partir de espaços físicos. Catherine, por exemplo, elaborou um espaço para mães passarem tempo de qualidade com seus filhos, brincando ao mesmo tempo que aprendendo idiomas (ou outras práticas, incluindo até mesmo como ser DJ). Gerson, engenheiro com forte apreço pela marcenaria, criou a DShed Woodworks, local em que fazedores podem se encontrar para criar tanto solitariamente quanto com o auxílio do próprio Gerson. Paula, por fim, trabalha com a “arte de jardinar o coração”, organizando um programa de cuidado e acolhimento focado no autoconhecimento que, como uma gestação, dura nove meses.

Alguns empreendedores focaram em produtos, ao invés de serviços. É o caso da Laís, que herdou uma máquina de costurar da avó e começou sua própria marca de bolsas, chamada Lúcia in the Sky (dica: a avó da Laís se chamava Lúcia). Fábio, cansado de ir ao mercado e perder tempo entre juntar produtos nas gôndolas, levá-los ao caixa e depois carregar zilhões de sacolas para casa, prototipou um carrinho com cestas destacáveis que pode ser levado para o supermercado (e depois direto para o carro). Vivian, desejando lembrar do que importa, criou uma linha de canecas com alguns dos ensinamentos mais memoráveis do curso Launch.

Imagem 055

Um mês é o bastante?

No cerne de todos os projetos que vi serem apresentados, duas questões reaparecem: a insatisfação com a vida como ela tem sido e o desejo de ajudar os outros. Essas duas forças, combinadas, motivaram dezesseis pessoas a criarem propostas para mundos melhores, sempre a partir da vontade de resolver um problema que também é seu.

Eu me reconheço muito em cada um desses empreendedores, pois também dei os primeiros passos sob a tutela do Larusso e durante um mês. Desde que comecei a tentar viver pelos meus próprios esforços, porém, começou a me inquietar a questão do tempo: quanto tempo precisamos para empreender? Não tenho respostas, mas pistas. Um negócio tem a ver estar a serviço de outra pessoa, e essa é uma percepção que não se basta quando conceitual; é preciso operá-la na prática.

Aprendi isso escrevendo neste site e pedindo colaborações financeiras pelos meus textos. Nenhum leitor colaborou, exceto minha mãe, e isso faz todo sentido porque nenhum leitor deve ter percebido o meu conteúdo como sendo criado para si. Semana passada, quando lancei o primeiro ebook do Ninho de Escritores, ficou mais clara a oferta de valor para os leitores – e as colaborações começaram a fluir.

O Ninho de Escritores tem agora quase oito meses de existência e ainda não está pronto. Acho que, na verdade, nunca estará. Desejo o mesmo para cada um desses projetos (e empreendedores): que sigam aprendendo e crescendo com suas propostas, crescendo até o momento em que possam dizer que basta, que chegaram ao tamanho que queriam.

Se tem uma coisa fundamental que o Launch ensina, é a dar a cara a tapa. Aparecer, mostrar o trabalho, se mostrar. O crescimento não acontece quando estamos escondidos. O crescimento acontece quando estamos em movimento, quando as pessoas nos enxergam, quando damos nossa cara a tapa. E, para isso, um mês é tempo mais que suficiente para começar. :)

5 comentários em “16 projetos empreendedores criados em apenas um mês

  1. Pingback: Negócios para reinventar o mundo - Tales Gubes

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *