A viadagem toma conta do Brasil

Ontem no metrô ouvi um sujeito falando que a viadagem está tomando conta do Brasil.

Pausa para rir histericamente, chorar compulsivamente ou segurar o impulso de sacar a metralhadora.

O sujeito devia ter seus quarenta anos. O cabelo era cortado justinho, ajeitadinho, sem um fio fora do lugar. A roupa meio social, camisa com listras discretas (imagina se não). Ele falava alto e com o indicador erguido para a mulher ao lado, que ouvia calada, mal e mal balançando a cabeça aqui e ali.

Fiquei procurando o tacape dele, porque as opiniões sem dúvida eram pré-históricas.

Ao mesmo tempo em que muita gente está comemorando o beijo gay que rolou na novela sexta e repetiu sábado, uma galera também está reagindo negativamente. Uma certa visão de mundo machista homofóbica foi confrontada com uma realidade na televisão. Coisa pequena, mas real.

Hoje a Lola (no Escreva Lola Escreva) tratou sobre a questão do beijo gay na novela e fez um levantamento de outras cenas presentes na televisão brasileira, marcando o esquecimento que permeia essas questões (e uma certa misoginia quando esquecemos que já houve beijo entre mulheres há muitos anos).

Para muita gente tosca, o beijo gay na novela pode ser um sinal do fim dos tempos.

Fico imaginando o sujeito do metrô espumando em casa. Espumando de ódio, ele diria. Eu chamo isso de tesão reprimido, vontade guardada de transar com outros caras.

Ou talvez eu tenha entendido errado. O moço estava comemorando o avanço da viadagem no Brasil. Assim talvez ele finalmente seja livre.

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