A realidade não é como queremos

Ele estava jogando no computador e eu ao lado observando. Mais de uma vez sugeri como jogar melhor, como passar de fase, como vencer o desafio. Em certo momento, ele pediu “deixa eu jogar?”.

Meu primeiro pensamento: “então joga direito”.

Meu segundo pensamento: “oh, droga, por que jogar direito tem que ser como eu acho que é certo?”.

Eu poderia dizer que o objetivo do jogo é vencer e que, já havendo jogado antes, eu poderia ajudá-lo a vencer mais rápido. Ou seja, eu já tive a experiência, por que mais alguém precisaria passar pelos mesmos percalços?

Dica da raposa: porque é outra pessoa.

Eu estava ignorando que era outro sujeito ali jogando, não eu. Outra pessoa, diferentes expectativas, desejos e experiências.

Depois que me dei conta disso, observá-lo jogar se tornou mais divertido. Meu interesse passou do jogo para a experiência do jogador. Pensando isso para a literatura, é o equivalente a parar de criticar os livros do Paulo Coelho (li o Alquimista e gostei, tá?) e começar a pensar na experiência de quem lê.

É realmente difícil deixar que as outras pessoas vivam as próprias experiências como quiserem. Eu tenho essa mania de salvador, essa coisa chata de quem acha que tem as respostas.

Será mal de professor? Ou de quem gostaria de ter vivido diferente o passado?