A raposa vai ao médico

Entrei ontem no médico dizendo que queria fazer cirurgia para extrair minhas amígdalas. Ele me olhou com aquela cara de “calma, pequeno gafanhoto” e pediu que eu lhe contasse tudo.

Falei de Porto Alegre, as crises mensais. Contei de Goiânia, quatro anos com uma ou duas crises. Relatei que em São Paulo, três meses, já eram três. “Convenci ele, óbvio”, pensei. Não. Ele disse que não era por aí.

Daí pediu para me examinar.

Sentei na maca. Ele acendeu a luz. Eu disse que não precisava de luz para ver minha amígdala. Ele, todo paciente, disse que sem luz não enxergava. Eu falei que os outros médicos sempre se surpreendiam porque viam a olho nu. Ele ignorou. Ainda bem que ele ignorou, não sei se meu ego ia aguentar, porque depois ele disse “é, já vi maiores… pode surpreender os leigos, mas um otorrino?”.

O médico acha que não é o momento de fazer cirurgia, que primeiro temos que testar outras opções. Cirurgia é invasivo, envolve sangue, corta a pessoa etc. Eu morro de medo de sangue, especialmente do meu, então é óbvio que eu concordo. Ele lá falando e eu pensando “vai que ele está certo? É só o décimo otorrino que eu consulto, algum deveria me dizer para não extrair, né?”.

Ou seja: vou continuar com essas coisas lindas na minha garganta por pelo menos mais algumas semanas. Ele me passou um remédio para melhorar minha imunidade e mandou eu comer direito.

Eu perguntei sugestão de livro para comer melhor. Ele respondeu: “procura no Google”.

Tá, mentira, não foi exatamente isso. Ele disse para eu procurar pela pirâmide alimentar no Google e construir minha alimentação baseado naquilo, comer de três em três horas e nunca ouvir médicos sobre minha alimentação (essa foi a parte em que ele deu um nó no meu cérebro porque, enfim, ele é um médico).

Então é isso, crianças, eu e minha amigdalite continuaremos juntos por força desse casamento indesejado. Ao menos por mais algum tempo. Veremos o que acontece.

(Enquanto isso, sigo escrevendo aqui e ali… e vocês?)