Minha amiga me perguntou: “Tales, daqui a dez anos, quem tu quer ser? O que tu quer estar fazendo, já ter conquistado e tal?”
Ela sabe o que quer: uma família. Marido, filhos, gatos, morar todos juntos. Para ela, estar trabalhando não é parte do objetivo, mas do caminho. Ser uma boa profissional é uma conduta particular, mas que nada tem a ver com o que deseja para si.
Eu comecei a registrar minhas andanças na busca por me tornar um escritor para nunca esquecer do objetivo que desenhei para mim.
Ainda assim, quando ela me perguntou, titubeei. Fiquei sem resposta. Mesmo sabendo a resposta, eu não soube o que dizer.

Mais alguns minutos conversando, chegamos ao óbvio (e que todo mundo que lê minhas letras sabe): eu quero ser escritor e viver disso.
Eu disse que não sabia o que fazer.
A resposta foi direta: primeiro, escrever alguma coisa completa, não importa se um lixo. Se quero escrever, preciso terminar um romance, um livro. Não importa a qualidade, importa passar pelo processo todo.
O que ela me disse não foi novidade. Eu já sabia, continuo sabendo.
A pergunta da vez é: por que não estou fazendo?