Morte de gay é cotidiano

Alguns círculos da imensa cidade que é São Paulo estão atordoados com a notícia da morte de um rapaz de 16 anos. As circunstâncias são reveladoras: Kaique, 16 anos, um adolescente gay que estava em uma festa foi encontrado em outra parte do centro da cidade sem os dentes, com uma barra enfiada através da perna e vários hematomas, inclusive na cabeça.

O registro do boletim de ocorrência da polícia: suicídio.

Sim, suicídio. O comentário de Jean Willys é mais do que o suficiente para fechar essa questão. É evidente que a falta de resposta de governo, bem como a postura da polícia, são flagrantes exemplos de homofobia.

Honestamente? Todo mundo que tolera gay, “mas com limites”, tem culpa. Também é culpado quem faz discurso fanático (muitas vezes travestido de religioso) sobre normalidade, moralidade. É culpado quem chama isso de suicídio. É culpado quem barra leis que protegeriam (ou minimamente aliviariam os riscos à) integridade física e mental de sujeitos LGBT.

Folha Kaique

Não tem como não estar indignado.

Não tem como não estar indignado principalmente após abrir a matéria da Folha de São Paulo e me dar conta de que sim, essa é uma notícia do cotidiano. Cotidiano, aquela coisa comum, que acontece todos os dias.

Um gay morrer brutalmente assassinado e com sinais de tortura é cotidiano.

Eu realmente entendo que São Paulo é uma cidade imensa e portanto não seria possível que todas as atenções estivessem mobilizadas para este caso. É evidente que há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Provavelmente nem existem condições de atender e investigar todas as ocorrências ditas cotidianas.

Ainda assim, não foi uma ocorrência qualquer. Foi um adolescente homossexual torturado.

Um caso de tortura registrado como suicídio.

Mais um caso de tortura varrido para debaixo do tapete.

Por onde se começa a consertar esse mundo?

Um comentário em “Morte de gay é cotidiano

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