Ficção: Terapia alternativa

Hoje é dia de ficção aqui no blog, então compartilho com vocês o conto Terapia alternativa, que foi escrito para ser uma continuação de O bufo, meu conto presente no livro Loveless.

Depois deste conto, escrevi alguns mais e tentei juntá-los como um romance. O resultado foi pavoroso, pois eu não havia compreendido que as diferenças entre um conto e um romance vão além do tamanho da obra.

A diferença se mostra no tamanho, sim, mas o tamanho é consequência das diferenças. O que distingue conto e romance envolve seus personagens e os conflitos apresentados.

Um conto trabalhará, em geral, com uma cena, um acontecimento, um “flash” de uma situação. O conto é um soco, uma emoção intensa e rápida, uma daquelas velinhas de aniversário que acendem e faíscam loucamente, mas só por alguns segundos.

Já um romance é marcado pelo tempo dilatado, pelas experiências derramadas entre as páginas e costuradas em uma progressão menos apressada, menos focada em uma única questão. No romance, diversos personagens têm suas peripécias consideradas, mesmo que haja um protagonista centralizando a trama.

“Ah, mas uma série de contos vira um romance!”.

Não, criança. Uma série de contos, mesmo que sobre o mesmo tema, com os mesmos personagens e em sequência temporal, são apenas isso, uma série de contos. Essa série pode ter a estrutura de um romance? Pode, mas para isso deve ser pensada como um romance e aí deixa de ser exatamente uma série de contos.

Eu não estou aqui para defender as formas e os nomes das coisas, longe de mim esse preciosismo. Contudo, acho necessário observarmos como a criação se faz. Cada vez mais tenho certeza de que ela deve ser intencional, ao invés de ser fruto acidental de um gênio criativo instável.

Terapia Alternativa

Bem, vamos ao que importa neste post: o conto. Clique para baixar o PDF: Terapia alternativa.

Como nos outros contos, peço que deixe um comentário depois de ler. Desse jeito, posso ter meu trabalho recompensado a partir do contato com gente legal.

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Obrigado!




7 comentários em “Ficção: Terapia alternativa

  1. Cativante.
    Tem algo na tua escrita que eu aprecio muito: parecido com os de C.S. Lewis, teu texto tem inúmeras reflexões embutidas (de uma maneira propícia). Pelo menos é assim que eu percebo.

    Gostei também das informações sobre o Shiatsu. Fui apenas ler um conto e saí sabendo que “Para a medicina chinesa,
    nossas energias estão relacionadas com cinco elementos e cada
    um tem uma característica…” Coisa que eu não sabia e talvez nunca me importaria em pesquisar. Agora quero fazer Shiatsu, hehe. Acho que isso pode servir de exemplo sobre como a escrita e a leitura servem para tocar as pessoas.

    • Jon, que legal que a inserção sobre Shiatsu ficou interessante. Este conto foi a primeira vez que fiz algo do gênero, então estava apreensivo sobre como isso seria lido. =)

      • Eu, particularmente, gosto quando uma determinada escrita, mesmo sendo criativa, oferece informação de uma maneira contextualizada e natural. Me dá um sinal de que a narrativa tem prufundidade, camadas. E que o autor é um explorador cheio de experiências. Daí a leitura fica um tanto mais interessante (pelo menos, para mim).

  2. Tales, eu costumo avaliar a forma como um texto me cativa pela forma como ele vai se transformando em um “filme” na mente. Ao ler esse conto, o tal “filme” foi uma história tão intensa que eu conseguia imaginar uma a uma as emoções e sensações que o protagonista sentia, começo, meio e fim. Foi um fluxo bem coerente, que me prendeu totalmente. Beijinhos, continue assim 😉

  3. Esse conto foi tudo de bom. E os comentários que pensei fazer já foram feitos. Mas vale dizer (mesmo já tendo sido comentado), o quanto um texto é enriquecido quando trás alguma informação útil, alguma descrição, etc de algo real, mesmo dentro de uma ficção.. Bjo

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