De onde vem o amor?

Hoje completamos um ano de namoro e eu sigo com uma dúvida: quando foi que comecei a te amar? Essa é a minha dúvida porque, fique claro, não tenho questão alguma quanto ao amor que sinto: ele está aqui, quentinho, discreto, constante. Tem sabor de fé, de algo maior, de futuro colorido.

Neste um ano (um tanto confuso nas matemáticas da vida, porque um ano de pedido em namoro é diferente dos quinze meses lado a lado) vivi muitos momentos de indubitável aceitação e serenidade. Aceitação porque tu faz parte da minha vida com visões de mundo bem diferentes das minhas – e tudo bem. Aliás, e ainda bem! E serenidade porque meus sentimentos por ti não me jogam numa montanha-russa de prazer e desespero. A nossa relação talvez esteja mais próxima de um pedalinho num lago tranquilo. Ou melhor, nem bem um lago porque nos lagos damos voltas em círculos. Nosso pedalinho está no mar, pois não há margens próximas suspirando limites, e em doze meses já nos distanciamos sem conta da praia na qual embarcamos.

Enquanto tento pensar nas primeiras vezes, vou reparando na futilidade do exercício. O primeiro encontro, as primeiras risadas, a primeira corrida apertada para o banheiro, a primeira noite juntos, as primeiras histórias compartilhadas, a primeira embriaguez, os primeiros presentes, os primeiros amigos, o primeiro piquenique, a primeira festa. Em nenhum desses momentos encontro o segredo para o que sinto.

Talvez então meu amor nasça das segundas vezes, dos reencontros, das continuidades. Te amo porque quero de novo, porque quis antes, porque sei que vou querer teu abraço logo antes de adormecer e porque penso no teu carinho assim que acordo.

Esse amor tranquilo veio a mim sem aviso e se instalou como um novo hábito. Eu tinha minhas ideias e objetivos e agora tenho minhas ideias e objetivos e também esse tal de amor. Vejo um futuro juntos e sei que o amor estará lá, porque ele não depende do que a gente faça. É um amor de querer bem, não do tipo que só quer junto.

Quem sabe esse amor não seja nem meu, nem teu. Ele é do mundo, da possibilidade de estar junto, do presente cotidiano que é te encontrar e te gostar. Acho que é por isso que não sei quando ele começou: porque ele começou muito, muito antes, antes mesmo das minhas primeiras palavras nesse mundo ou dos teus primeiros suspiros. Se tu não crescesse para te tornar a pessoa incrível que é, se eu não estivesse no lugar em que estou, nossos caminhos não teriam se cruzado e a flecha do cupido encantaria outro casal.

Não sei quando nasceu este amor porque ele é resultado de uma combinação muito antiga de nada mais que pó de estrelas. Não sei quando nasceu este amor porque ele nasceu junto com o universo – o que faz de mim um peixinho tentando desvendar o oceano.

Muito obrigado por me mostrar todos os dias que o mundo é tão maior.

Te amo.