Conheci um moço que aos quinze anos falava espanhol, português e japonês (e provavelmente inglês) e havia morado em pelo menos três países. O moço em questão tem um emprego bacana, está fazendo a segunda faculdade, tem vários amigos estrangeiros, fala com fluência sobre o que acredita, tem tatuagens e se veste bem.
Inveja nem começa a descrever o que eu senti.
Quem me lê há algum tempo sabe que estou numa missão para me tornar a pessoa que desejo ser. Não está sendo fácil, em particular porque fico ocupando meu cérebro com mimimis em vez de ir atrás do que acredito.
O mimimi da vez está relacionado a essa necessidade de ficar me comparando com os outros e precisando da opinião alheia para validar a minha própria vida.
Comparações nem sempre são úteis
Quando nos comparamos, muitas vezes ganhamos uma noção de até onde queremos chegar, que tipo de pessoas queremos ser etc. Isso nos dá um senso de objetivo, de destino.
Muito legal.
Porém, é perigoso nos agarrarmos a comparações sem percebermos que elas podem esconder diferenças que não devem ser ignoradas. O moço que citei é filho de um espanhol e conviveu na infância com uma família japonesa. Os idiomas que aprendeu decorreram, portanto, dessas influências de quando era criança.
Eu, por outro lado, nasci quase no limite de Porto Alegre com Alvorada e sem contato com estrangeiro qualquer. Ainda assim, tive condições (providenciadas pela família, claro) de fazer um curso de inglês durante o ensino médio e por isso hoje falo um segundo idioma.
Considero isso pouco, mas até hoje uma parcela godzilionária da população brasileira não tem essa mesma oportunidade.
A comparação é útil enquanto nos motiva a ir adiante, mas se a abraçarmos em excesso, ela nos paralisa. O mundo é tão grande e existem tantas pessoas que sabem e fazem e vivem mais do que a gente… que fica fácil ficar parado com a boca aberta esperando a morte chegar.
A importância da opinião alheia
Nesses momentos de paralisia por excesso de mimimi, ajuda muito quando outras pessoas nos dizem: “cara, tua vida é o máximo, quantas pessoas podem fazer a mesma coisa?”.
É meio um choque.
Ainda em Goiânia, uma colega de curso ficou encantada com meus planos para São Paulo. “Nossa, tu vai largar tudo? Que foda, viver em três cidades diferentes em menos de trinta anos!” Para mim, aquilo que até então não era grande coisa ganhou outro valor.
Muitas vezes, precisamos da voz do outro para confirmar aquilo que já sabemos.
Isso se chama insegurança.
É como se nós não fôssemos o bastante para nos segurarmos sozinhos.
Essa minha insegurança deve explicar por que me atraio por pessoas autoconfiantes e autossuficientes. Pensando nos meus melhores amigos, todos têm esse cheiro de quem sabe o que está fazendo, mesmo que não acreditem nisso.
Conversando com amigos e conhecidos, descobri que as pessoas têm essa mesma impressão a meu respeito.
Sobre isso, já peço desculpas: pura propaganda enganosa.
Ou será que não, e isso é só mais um mimimi?
