Um bom jeito de conhecer pessoas

Eu participo de um grupo no Facebook chamado Queer Nerds. É um espaço para quem se identifica como queer (acho que vale qualquer coisa que escape à “normalidade”, sexualmente falando… lésbicas, gays, bis, trans…) e, ao mesmo tempo, seja nerd: goste de jogos, seriados, desenhos, quadrinhos, livros, computação, essas coisas felizes etc.

Ontem o pessoal marcou um piquenique em um parque aqui de São Paulo. Eu decidi ir porque não sou uma pessoa espontânea.

Não faz sentido, mas calma que eu explico.

Por esses dias estava caminhando na Avenida Paulista e passei por um grupo de cinco pessoas sentadas junto a umas plaquinhas que diziam “Uma pergunta: vamos conversar?”. A proposta era simples: estranhos sentavam ali e trocavam ideias.

Eu olhei, fiquei com vontade, fui e voltei, passei de novo, passei mais uma vez e fui embora.

Sim eu fui embora.

Fui embora o tempo inteiro pensando no porquê de simplesmente não sentar lá por uns minutos. Não precisava de um motivo, eu queria e pronto. Não consegui.

Eu sempre faço isso. Quando alguma coisa me surpreende, eu travo e não consigo sair do planejado para lidar com ela. Por isso fui para casa ao invés de sentar e conversar com pessoas que nunca vi antes.

Eu faço isso sempre, é um padrão meu. Um padrão que eu não gosto e quero mudar.

Foi aí que entrou o piquenique do Queer Nerds.

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Eu à moda toalha na cabeça e alguns possíveis novos amigos

Eu sabia que jamais teria a coragem de ver um grupo de pessoas felizes, me aproximar e dizer oi. Por isso, investi meu tempo na internet para encontrar grupos que têm relação com meus interesses e, com uma grande dose de apreensão, compareci ao evento.

Eu chamo isso de sabotar a mim mesmo.

Juntei uma característica minha que considero ruim (a parte de só fazer coisas que já estavam no plano) ao problema que eu queria resolver (a timidez crônica na hora de fazer coisas legais).

O resultado foi um Tales no ponto de encontro suando frio e morrendo de medo de conhecer pessoas chatas, irritantes ou algo pior. As criaturas chegaram, foram super acolhedoras e o medo passou. Fui com eles, joguei, brinquei, ri. Tudo o que estava no plano e uma ou outra coisinha que não.

Com o tempo, aprendi que para mudar eu não poderia desafiar todos os meus defeitos ao mesmo tempo. Eu não virarei da noite para o dia uma pessoa extrovertida, ousada, criativa e energética.

Isso não quer dizer que eu não possa me aproveitar de mim mesmo para ir mudando aos poucos.

Um defeito por vez com a ajuda dos demais.

Estou orgulhoso de mim.