O ano de 2014 está cheio de começos, mas são as despedidas que têm ocupado meus pensamentos. Agora, por exemplo, me preparo para sair de Porto Alegre rumo a São Paulo, depois de uma rápida visita para surpreender uma amiga.
Foi nesta viagem que percebi o quanto Porto Alegre – e particularmente as pessoas daqui – são importantes para mim. Família, amigos, lugares conhecidos, cada coisinha nesta cidade está imbuída de memórias e afetos.
Foi também nesta viagem que entendi o quanto estou fragilizado pelas recentes partidas ocorridas ao meu redor. Algumas carregam a promessa de um reencontro, mesmo que distante, mas outras são definitivas.
De um lado, tenho um amigo que foi para a Holanda fazer mestrado e terá pelo menos dois anos de vivências na Europa. Não sei se o verei nesse período, mas tenho fé que nos esforçaremos para que encontros aconteçam. E, mesmo que não nos vejamos pessoalmente, a vida oferece ferramentas em demasia para continuarmos o contato: telefones, whatsapps e facebooks. Mesmo que não nos vejamos por anos, teremos sempre o território comum das aventuras compartilhadas, a corrida para o aeroporto, os passeios regados a felicidade.
De outro lado, tenho uma amiga que faleceu. As nossas conversas ficaram sem ponto final, as histórias que compartilhávamos não serão amarradas. O ciclo encerrou porque vidas acabam. Por que vidas acabam?
Uma vida é uma história e todas as histórias terão fim. Aceitar isso é um passo importante para continuar vivo, senão somos puxados para a depressão de compreender que nada é para sempre. Meu amigo viajou, ele não está mais por aqui para almoçar comigo, conversar sobre a vida e se desesperar com os trâmites burocráticos da existência em sociedade. Minha amiga, de certa forma, também viajou, mas para um lugar de onde jamais me chegarão mensagens suas.
