Uma visita ao ortopedista

Há um mês, marquei uma consulta com um ortopedista perto de casa. O médico só poderia me atender dali uns quinze dias, então marquei, esperei e esqueci. Fui lembrar horas depois do horário combinado.

Morrendo de vergonha de ligar no mesmo médico para marcar outro horário (quem é que falta à primeira consulta?), liguei para outro e agendei. Anotei em trezentos lugares diferentes e desta vez lembrei.

A consulta foi hoje.

Ou melhor: a “consulta” foi hoje.

Ponho entre aspas porque a coisa toda foi meio esquisita. A consulta atrasou. “Ah, médico sempre atrasa”, alguém pode dizer. Desculpa, mas desrespeito de médico é tão cretino quanto de qualquer outra pessoa. Daí mandaram eu entrar no consultório… vazio. O médico levou mais uns dez minutos para chegar. Sorte que levei um livro.

Quando o médico finalmente chegou, perguntou qual era o problema. Falei dos meus joelhos que doíam de vez em quando. Ele mandou eu deitar em uma maca e fez três movimentos com cada uma das minhas pernas. Voltamos para as cadeiras e ele me encaminhou para fazer um raio-x em uma sala convenientemente vinculada à sua clínica.

Fiz e voltei.

Quando finalmente fui atendido de novo, o médico olhou as radiografias por quinze segundos (eram quatro imagens, então ele deu quase quatro segundos de atenção para cada) e começou a escrever uma receita para dor. Recomendou uma ressonância magnética e escreveu no formulário que eu reclamara que sentia essas dores havia semanas. Só percebi em casa, quando fui ler o documento, pois saí de lá enfurecido com a total falta de atenção do sujeito. Se ele tivesse me perguntado, talvez soubesse que as dores me acompanham há anos, não semanas.

Nesse relato, esqueci de um detalhe. Em ambos momentos em que estive em seu consultório, ele ficava observando o celular e inclusive atendeu a ligações. Profissionalismo deixou saudades, não é?