Eu leio sempre os textos do Leo Babauta, no Zen Habits, um site sobre o zen aplicado à mudança de hábitos. É de lá que tiro a maior parte das minhas ideias sobre como ser e agir diferente do que venho fazendo.
Por esses dias li um texto justamente sobre isso, sobre como mudar, e ele fez algumas perguntas que me deixaram encucado. Essas perguntas têm a função de ajudar a despertar a ação. Afinal, nada importa na vida que não as ações que tomaremos ou deixaremos de tomar.
A primeira pergunta é: existe alguma açãozinha pequena que eu possa começar agora mesmo? Parece bobagem, mas tentar começar pelas coisas grandes muitas vezes se torna frustrante. Então vale mais começar pequeno, um passinho de cada vez, e talvez assim chegar mais longe.
Eu estou disposto a me comprometer por um mês? Nenhuma mudança com a qual não estejamos fortemente envolvidos duraria mais de um mês. Esse período é o mínimo necessário para construirmos um novo hábito em nossas vidas. Como vocês sabem, escrever para mim é o hábito que venho tentando encaixar na existência. Eu estou disposto a me comprometer pela vida, mas isso não parece estar sendo suficiente. Ah, ironias da vida…
Se eu fizer isso todos os dias, que mudança surgirá? Às vezes não percebemos como uma pequena, porém contínua, quantidade de trabalho pode se acumular a longo prazo. Com a escrita, a resposta é clara: se eu escrever uma coisinha boba como 500 palavras a cada dia, ao final de um mês terei 15.000 palavras. Dizem que um romance médio tem 50.000. Três meses e meio e eu teria conseguido escrever já um romance. (Isso considerando que fazer um romance fosse só escrever e pronto, mas para fins de exemplo, é bem assim e ponto…).
Isso tem um grande significado em minha vida? Não adianta nada se aquilo que for alcançado após um tempo não tiver significado algum. É o que acontece com a maior parte dos nossos empregos, eles estão ali apenas para nos sustentar financeiramente e por isso acabam não ganhando uma atenção maior ou mais empolgada. Escrever, para mim, tem o maior dos significados, já que é aquilo para o que tenho me dedicado com algum fervor nos últimos tempos.
A dor de não fazer isso é maior do que a dor de fazer? Algumas vezes a procrastinação ganha a batalha. Muitas vezes, aliás. Contudo, chega um momento em que eu me sinto muito mal por não estar escrevendo. Esses são os momentos em que não escrever dói mais do que escrever. Aliás, escrever não dói, mas a preguiça e o medo de falhar fazem parecer que sim. Detesto saber que ando precisando chegar ao nível de a dor do não fazer ser aquilo que me empurra, mas é algo a se levar em conta.
É possível fazer uma ação de 2 a 5 minutos por dia? Essa, para mim, é a pergunta central. Sobre escrever, é claro que posso escrever apenas de 2 a 5 minutos por dia. Isso quer dizer que eu escreveria muito menos do que as 500 palavras por dia que mencionei acima… Ao mesmo tempo em que significa que eu estaria escrevendo. Ontem, por exemplo, eu ia escrever apenas esses cinco minutos, para não perder o hábito, e escrevi por quatro horas. Eu tinha tempo livre, mas se não houvesse começado (para cumprir esses cinco minutinhos) nada teria acontecido e eu passaria um domingo resmungando.
Por isso, assumi para mim mesmo o compromisso dos cinco minutos. Todos os dias, pelo menos cinco minutos da minha vida serão dedicados à escrita. Se passar disso, é bônus.
Será que eu consigo?