Sobre mostrar o próprio trabalho

Eu sou autônomo, o que entre outras coisas significa que preciso divulgar o meu próprio trabalho. Posso ter nas mãos o projeto mais transformador da humanidade, o alcance dele está diretamente relacionado com o meu trabalho de divulgação.

Quando oriento escritores que querem seguir a linha da autonomia na publicação, esse é um dos pontos que sempre destaco: mais do que aprender a escrever, autores autônomos precisam também aprender como podem se mostrar para o mundo.

Estou fazendo um financiamento coletivo para custear minha participação em um curso incrível de comunicação não-violenta. Como o valor que pretendo arrecadar é alto, isso significa que eu preciso falar com muitas pessoas sobre algo que é fundamentalmente do meu interesse, mas não necessariamente do interesse delas. Sim, muita gente quer o meu bem e torce por mim, mas torcer pelo cavalo é diferente de comprar o bilhete.

Ainda assim, se não for eu, quem vai fazer isso por mim? Na maior parte da minha experiência como autônomo, trabalhei basicamente por indicação. Um cliente gostou do meu trabalho e indicou outras pessoas que poderiam me contratar, e assim fui conseguindo serviços e participantes em cursos. Essa é uma boa forma de conseguir clientes, mas não é rápida e certamente não está sendo o suficiente para garantir o sucesso do meu financiamento.

Ter criado o financiamento coletivo tem me colocado num lugar diferente. Se eu quero que dê certo, preciso falar sobre, preciso conversar com as pessoas, preciso mostrar o que estou fazendo. Mais do que tudo, preciso deixar claro qual é o valor que as outras pessoas podem receber a partir do apoio de algo que está fundamentalmente relacionado à minha vida.

Eu já escrevi antes sobre mostrar o próprio trabalho e estou aqui pensando sobre o quanto é importante cuidar disso de novo. Cuidar disso sempre. Se eu não mostrar, como as pessoas vão saber?

Uma imagem que não me sai da cabeça veio dos quadrinhos japoneses, em que samurais sem mestre (ronins?) circulavam pelas cidades carregando placas nas quais anunciavam seus serviços. Sword for hire, espada de aluguel. Pensando bem, não é muito diferente disso o que preciso fazer, certo? Vou já preparar minha placa para caminhar pela vida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *