Praticar CNV não é falar manso

Duas amigas minhas se encontram e conversam sobre um tópico sensível para uma delas. “Ah, mas posso dizer tal coisa, né?”, uma diz. A outra, praticante de CNV, responde: “eu não vou gostar”. Então vem a resposta: “nossa, mas não era você a praticante de CNV?”.

Esse equívoco é comum: a ideia de que não-violento é sinônimo de manso, quieto, calmo, pacato, submisso, sem enfrentamento.

A comunicação não-violenta é sobre honestidade, empatia, responsabilidade, presença e intenção de conexão. Ela não trata de não criar conflitos. Na verdade, é o contrário: quando assumimos o cuidado pelas nossas próprias necessidades, a tendência é entrarmos em conflito em todas as situações em que não estivermos sendo bem cuidados. A diferença da CNV é que a proposta é cuidar das necessidades de todo mundo, não só aquelas que acalmam o nosso umbigo.

Conflito é parte do jogo.

Na comunicação não-violenta, o conflito é um sinal de que algo precisa ser observado e reajustado – assim como nossos sentimentos, inclusive aqueles que temos mais dificuldades para lidar, como ciúmes, vergonha, culpa e raiva.

Se tem conflito, significa que algo não está funcionando para alguém. E que bom que tem conflito, porque assim podemos cuidar disso e fazer funcionar melhor.


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