Um pouco de poesia urbana

O vizinho do prédio ao lado está cortando as unhas na janela. Ouvi os pecs pecs pecs. Ele corta com uma velocidade e naturalidade que, na pior das hipóteses, sugerem que o mundo é mais que pequenos descontentamentos.

Agora, enquanto escrevo, o vizinho lixa suas unhas. É uma manhã de quarta-feira e ele está se lixando.

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Há poesia no mundo, logo até onde alcançam os olhos, os ouvidos, as narinas. Quem sabe além, até onde se derrama a imaginação.

Acabei de ver outra vizinha, corpo metade pra fora da janela, passando um pano no vidro.  E se ela caísse? Ou voasse? O prédio ao lado é um sem-fim de carícias para a imaginação. Como a vida.

2 comentários em “Um pouco de poesia urbana

  1. Eu poderia escrever poesias sem parar só olhando para a janela do meio da primeira fileira. Chéssuiz! hehe

    Mas falando sério, o mundo e as pessoas (especialmente as pessoas) são fontes valiosíssimas de inspiração. Para mim, na criação de personagens, pessoas da vida real doam suas mais interessantes e medíocres peculiaridades. De pois que fui me metidar a criar histórias, virei um entusiasmado observador de personalidades.
    Mas na poesia, as emoções e revoltas continuam sendo minha maior fonte de inspiração – nem tanto o mundo à volta. Será que isso é ruim?

    • Eu nunca fiz poesia, confesso! Sempre tive preconceitinho. Esse texto nasceu de uma conversa de Facebook, um amigo veio falar comigo e minha resposta foi o primeiro parágrafo, porque eu estava entretido demais nos pecs pecs.

      Se tu gosta de observar pessoas, gostará do exercício de escrita que vou propor na próxima newsletter do Ninho de Escritores (é lá que tenho concentrado meus textos sobre escrita… nesse mundo confuso, mas divertido de escrever em vários lugares haha)

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