A (linda) história do pedido em namoro feito por um escritor

Se em janeiro alguém me contasse como minha vida estaria em agosto, eu não acreditaria. Vim a São Paulo armado de certezas sobre como eu queria viver e quais seriam as condições para concretizar esse plano. A vida, porém, tinha outras ideias para conduzir minha história.

Eu vim para ser mais autônomo e desenvolver meu lado artístico, e ela me ofereceu a oportunidade de crescer como empreendedor em contato com pessoas que compartilham meus sonhos. Eu vim para construir o meu caminho sozinho e ela me trouxe a chance de conviver em uma casa com sabor de família. Eu vim para deixar o passado para trás e aprendi que isso seria bobagem. Eu vim para reencontrar o amor por mim mesmo e o descobri no sorriso de outra pessoa.

Este texto é um registro, mas também uma declaração.

No final de março, conheci uma pessoa encantadora. O primeiro encontro veio num sábado despretensioso que, até então, estava reservado ao ócio. Foi tudo muito rápido, algumas mensagens e uma ligação levaram ao convite para jantar. Encontramo-nos e fomos para um café, onde passamos horas trocando risadas e experiências de vida. Na rua, choveu e parou e a meia-noite veio. Com ela, o convite para estendermos o encontro. Ficamos juntos até o fim da tarde seguinte.

Alguns encontros são perfeitos e continuariam sendo mesmo que não tivessem continuação. Era o caso. Conheci um moço que sem dúvida representaria uma boa história para contar aos netos sobre como é possível encontrar alguém fantástico por completo acaso. Por mim, já estava lindo demais daquele jeito. Se nunca mais nos falássemos, eu já teria ganhado um presente maravilhoso: a fé de que existem pessoas incríveis por aí.

Mas continuamos nos falando.

Um dia, percebi que eu não queria apenas estar com aquele moço fantástico, encontrá-lo aqui e ali e apresentá-lo às pessoas da minha vida como “o cara com quem estou ficando”. Eu queria dizer ao mundo: as portas da minha vida estão abertas a essa criatura inacreditável. Porém, como demonstrar isso? Chegar e perguntar “oi, quer namorar comigo?” parecia simples demais perto de tanta coisa feliz que o moço me fazia sentir.

Decidi escrever uma carta relatando meus sentimentos e o tanto que eu gostaria que ele fizesse parte da minha vida como meu namorado. Escrevi e ficou aceitável. Não linda, não perfeita, não encantadora como ele merecia. Aceitável.

Uns dias depois, nos encontramos para almoçar. Estávamos num restaurante chinês baratinho onde costumamos comer quando temos pressa, fome ou os dois. Olhei o relógio e vi que tínhamos apenas mais trinta minutos juntos antes dele ir para o trabalho. Coloquei a mão na mochila para puxar meu pedido em forma de texto e senti aquele cheiro gostoso de fritura chinesa. À nossa volta, pessoas atulhadas em mesinhas pequenas e um ambiente mal iluminado. O bom senso entrou em cena e me mandou repensar o local.

Fomos ao Parque Trianon. Ele querendo ir embora e eu insistindo um rápido passeio no parque para ver a fonte com peixes. Se alguém já foi a essa fonte, sabe o quão sem graça ela é. Tem peixes bonitinhos, sim, mas nem de longe seria motivo para alguém querer desesperadamente e o mais rápido possível chegar até lá para repousar. Porque né, correr para repousar é meio contraditório…

Chegamos lá e sentamos em um banquinho de pedra. Passarinhos cantando ao fundo, o sol brilhando no céu e nada de cheiro de gordura. Tirei da mochila o envelope no qual havia guardado meu presente. Ele me olhou com espanto, aquela carinha fofa de “como assim, o que está acontecendo?” que ele faz. Ele o abriu e tirou de dentro um livrinho.

Sim, porque eu não ia dar um presente aceitável, por favor. O aceitável pode funcionar para mim e para a minha vida, mas não para a pessoa mais especial que cruzou meu caminho até hoje.

Ele começou a ler e foi encontrando, página após página, a nossa história. Usei tudo o que eu tinha: piadas internas aprendidas já no primeiro encontro, referências aos nossos encontros de vinte horas e também aos de quinze minutos, comentários dos meus amigos sobre ele (coisas como “é impossível não gostar dele”), doze coisas que adoro nele ou com ele, alguma encheção de linguiça (com direito a linguicinhas desenhadas) e, por fim, o pedido de namoro.

pedido de namoro _ reduzida

Esta é uma história feliz, então ganhei um sim e continuo a vida todo sorrisos namorando uma pessoa fantástica.

Hoje, a vida que levo não poderia ser mais diferente da vida que planejei. Ainda bem. Hoje, também, completam-se cinco meses desde que esse moço lindo entrou na minha vida. Obrigado pelos sorrisos.

7 comentários em “A (linda) história do pedido em namoro feito por um escritor

  1. Ai, que linda história!
    Adorei o pedido, muito criativo e carinhoso. Uma declaração digna de filmes românticos! =)
    Desejo felicidade e que a união de vocês seja cada dia mais forte!

    Beijo

  2. Pingback: Sobre namoros e o Tinder - Tales Gubes

  3. Mas não é assim mesmo? Lembro e ainda guardo as cartas e bilhetes que enviei ao meu hoje marido quando nos conhecemos e ensaiávamos namoro.

    Hoje ainda solto aqui e ali uns certeiros pra ele porque não há de se deixar esmorecer o que é tão doce. Apenas monitore sua felicidade, não a policie porque disso ela não carece e já existe gente demais obcecada com isso, gente desocupada claro porque se fosse viver não teria tempo fazendo isso mas sendo simplesmente feliz.

    E se está assim tão bem minha receita é ligar no máximo o foda-se e ir até onde deseja ir, amar não precisa de arreios ou cabresto, apenas areia fofa para afundar os pés no fim de tarde e cabeça..

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