O problema são os não ditos

Arrisco que a maioria dos problemas de relacionamento nascem de expectativas fundamentadas em acordos não firmados, mas pressupostos. Não tenho base estatística e estou deliberadamente excluindo pessoas que agem de má fé – porque se você sabe que está lidando com uma pessoa que age assim, então o problema virou continuar se relacionando com esse alguém.

O problema daquilo que não é dito está nas fronteiras, aquelas zonas enevoadas e cinzas em que a interpretação do que é possível ou desejável na relação fica a critério de cada pessoa em particular. Ocorre que a relação nunca está a critério de cada pessoa em particular, ela é sempre uma construção coletiva e colaborativa. Ou pelo menos esse é um dos meus pressupostos.

O não dito às vezes é vestido de óbvio. “Era óbvio que não precisava falar sobre isso, todo mundo sabe”. Pena que óbvio não existe, porque cada pessoa vê o mundo a partir de sua própria bagagem.

Deixar de comunicar nossos pressupostos, intenções e expectativas é pedir para que a confusão se instale. Relacionamentos confusos dão mais trabalho e consomem mais energia.

Às vezes temos medo de falar sobre o que queremos em nosssas relações.

Entretanto, o custo de não falar é mais alto.


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