Quer participar do Ninho de Escritores de graça?

O Ninho de Escritores é o curso que eu gostaria que existisse quando comecei a dar os primeiros passos como escritor: um ambiente acolhedor no qual a experimentação literária acontece sem preconceitos ou julgamentos venenosos. Um lugar onde é possível encontrar outras pessoas com interesses semelhantes e compartilhar experiências de vida.

Mas participar do Ninho de Escritores tem um preço.

E isso, honestamente, me preocupa.

Serei direto: como empreendedor do Ninho de Escritores, quero ser sustentado pelo projeto. Contudo, ao estabelecer uma contribuição de R$ 300 mensais para o curso presencial, ou de R$ 150 para o voo solo, estou criando uma barreira para a participação de muitas pessoas.

E isso vai contra o que acredito que o Ninho de Escritores deve ser: um projeto aberto, inclusivo e abundante, com o menor número de barreiras possível.

Entretanto, ter um preço fixo faz parte da lógica de escassez dentro da qual vivemos e parece tão difícil escapar.

A lógica da escassez; ou, só tem muito para poucos

Em nossa cultura, vivemos sob uma ideologia em que poucos têm acesso a muito e, em contrapartida, muitos têm acesso a pouco. Falei sobre isso em dois textos anteriores, um sobre a arte de pedir ajuda e outro sobre princípios para uma educação feminista.

O que é a lógica da escassez?

É um pensamento que parte da premissa de que há poucos recursos disponíveis, ou que os recursos disponíveis são insuficientes para todos. A consequência dessa ideia é a reserva de recursos pautada num ideal de que mais é melhor. Mais dinheiro é melhor do que menos dinheiro, mais posses é melhor do que menos posses. É um raciocínio lógico, mas que esconde uma verdade cruel: para que eu tenha mais, dentro dessa lógica, os outros devem ter menos.

No caso, muitos outros.

Ainda dentro do pensamento da escassez, torna-se compreensível que cada coisa tenha um preço e, portanto, não sejam todas as pessoas que possam usufruir de todas as opções. Um curso de escrita em São Paulo, por exemplo, custa em média R$ 500 por mês, na média, mas há cursos que cobram mais de R$ 600 por encontro.

Nesses cursos, para alguém ganhar, muitos devem perder.

Quando o Ninho de Escritores coloca um preço fixo de R$ 300 por mês, está operando dentro desta mesma lógica da escassez. Quando abre a possibilidade das pessoas pagarem menos que isso, um pouco dessa barreira se dilui, mas não sem consequências financeiras.

No caso, eu deixo de receber integralmente pelo serviço que estou prestando. É uma opção que tenho feito por acreditar que o Ninho pode operar dentro de uma lógica da abundância.

Escassez = Abundância – Confiança

A lógica da abundância inicia a partir de uma premissa oposta à da escassez: há recursos disponíveis para todos. O fato de haver comida e espaço habitacional disponíveis para todos no mundo – embora injustamente distribuídos – é uma prova de que é possível conviver numa lógica de abundância.

Dentro da lógica da abundância, mais é diferente de melhor e todos podem ganhar juntos, estabelecendo relações pautadas na confiança.

Quando operamos em uma lógica na qual alguém precisa sair perdendo, não é possível que todos ganhem. Quando ofereci R$ 1 por histórias na rua e um moço contou “O elefante caiu na lama”, não havia como eu ganhar porque ele queria que eu perdesse enquanto eu queria que nós dois ganhássemos.

A lógica da escassez nada mais é do que uma cultura de abundância da qual se retira a confiança.

Estamos acostumados a desconfiar.

Chame-me de utópico, mas eu não quero desconfiar. Com o Ninho de Escritores, decidi apostar o máximo possível na lógica da abundância. Eu não quero definir quem poderá aproveitar daquilo que tenho a contribuir baseado em dinheiro. Mas também não posso ficar sem grana.

Será que existe solução para esse dilema?

O plano para tornar o Ninho de Escritores gratuito

Logo que comecei o Ninho de Escritores, foi-me sugerido não divulgar os processos internos dos encontros. Outras pessoas poderiam copiar o modelo. Hoje, penso diferente: quero mais é que outras pessoas conheçam o que fazemos e copiem todos os modelos possíveis, de preferência para reproduzir as aprendizagens do Ninho de Escritores em outros espaços.

Para garantir que isso aconteça, passarei a escrever na newsletter do Ninho (para se cadastrar, clique aqui) e em textos aqui no site o que temos feito, nossos exercícios e especialmente os aprendizados colhidos a cada encontro.

Assim, mesmo quem não puder pagar para estar no Ninho de Escritores receberá algumas das contribuições compartilhadas.

Esse é apenas o primeiro passo do “plano”. O segundo é um pouco mais ousado e, confesso, ainda tenho medo de apostar minhas fichas nele. Por mais que eu queira confiar, me assusta estar em um mundo em que a confiança é um artigo difícil de encontrar.

Os criadores do Estaleiro Liberdade e do Catarse lançaram um site de financiamento coletivo recorrente sem taxas nem curadoria: o Unlock. É um site lindo no qual os próprios interessados colocam seus projetos no ar e já começam a receber as contribuições sem intermediários. O próprio Unlock tem seus custos financiados por apoiadores no site.

Diferente do financiamento coletivo tradicional, em que as pessoas apoiam algum projeto com uma quantia única e depois recebem recompensas por isso, o financiamento coletivo recorrente se baseia em contribuições que se repetem todos os meses. Desta forma, ao invés de apoiar o lançamento de um livro, por exemplo, você pode apoiar o trabalho de um escritor.

Ou de um curso para escritores.

Para tornar o Ninho de Escritores ainda mais acolhedor e abundante (tanto no curso presencial quanto no voo solo e nos eventos esporádicos, como o Escrita Gourmet), optei por recorrer ao financiamento coletivo recorrente. O objetivo inicial é alcançar R$ 5000 por mês a partir de contribuições individuais pequenas (quaisquer valores são bem-vindos, para ser bem honesto).

Alcançado este valor, todos os projetos do Ninho de Escritores passarão a ser abertos à contribuição livre, de modo a expandir o acesso e o compromisso com a abundância. Ou seja: contribui quem quer e pode.

Ultrapassado esse valor, projetos ainda mais ousados poderão surgir a partir do Ninho de Escritores.

Se você acredita no Ninho de Escritores e na possibilidade de um projeto de acolhimento que opere na lógica da abundância, contribua para a sustentação financeira do projeto(As contribuições, por cartão de crédito ou boleto, são gerenciadas pelo PagSeguro, no site do Ninho de Escritores, e não pelo Unlock ou MoIP).

E se não der certo?

Tenho medo do Ninho de Escritores não se tornar aquilo que acredito que foi criado para ser. Tenho receio de que o Ninho de Escritores seja para sempre só mais um curso ou coaching literário para pessoas que podem se dar ao luxo de pagar por isso.

É o que ele vem sendo e isso me incomoda.

Quando apresentei aos primeiros participantes do curso presencial do Ninho de Escritores a proposta financeira, disse-lhes: “Vocês não serão cobrados por nada. Se, quando e quanto vão contribuir para o Ninho de Escritores é uma escolha pessoal. Preciso apenas que saibam de duas coisas: o Ninho tem custos pelo trabalho que faço aqui e eu não pagarei para trabalhar – se manter o Ninho se tornar um custo, o Ninho de Escritores deixará de existir”.

A única consequência do Ninho de Escritores não se (me) sustentar financeiramente será o seu fim.

Mais do que o fim de um projeto, o fim do Ninho de Escritores significaria o término de um projeto pautado na abundância dentro de um mundo que opera pela escassez.

Sozinho, porém, não é possível ser abundante.

Quer apoiar o Ninho de Escritores? Então clique aqui e contribua!

Obrigado!

3 comentários em “Quer participar do Ninho de Escritores de graça?

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