O networking do escritor tímido

O campo literário é relativamente pequeno, ainda mais o dedicado a escritas na temática LGBT. Um dos nomes que pipocam nesse meio é o de Fabrício Viana, que tem publicado e facilitado publicações de cunho homoafetivo.

Como escritor que transita por esse mesmo universo, me parece necessário fazer o famoso networking, ou seja, construir relações para facilitar minha existência nesse campo literário.

Hoje houve o lançamento de um livro chamado Orgias Literárias da Tribo em uma feira LGBT que aconteceu na Praça da República (na verdade, creio que ainda está acontecendo, é até às 22h).

Orgias Literárias da Tribo

A ilusão: chegar lá, me apresentar ao Fabrício e trocar uma ideia.

A realidade: chego na feira, zilhões de pessoas na banquinha e o meu primeiro impulso é sair correndo. Volto minutos depois, devidamente alimentado (comida deve dar força e coragem, fica como dica para a próxima vez em que eu sair correndo da menina que conversa com pessoas na rua) e tomo uma decisão: não posso simplesmente me aproximar e dizer oi.

Porque né, que tipo de ser humano se aproxima de alguém e diz “oi, tudo bem, me chamo Tales, nossa, que legal o teu trabalho”?

O que eu fiz?

Fiz o que aprendi com o Cebolinha e arquitetei um plano infalível.

Fui ao banco, saquei dinheiro, comprei um livro do Fabrício e entrei na fila dos autógrafos. Enquanto ele perguntava meu nome para escrever, puxei assunto (mentira, ele que falou e eu fui seguindo a conversa). Meu plano infalível era perguntar se ele estaria no lançamento do meu livro amanhã, mas só perguntei se ele iria à festa (porque eu já sabia que sim e achei brilhantemente que ele reconheceria a festa e perguntaria como eu sabia dela, eu falaria que sou escritor também e viraríamos melhores amigos, mas não foi o que aconteceu). De toda forma, larguei um “então nos vemos amanhã” antes de ir embora e ele largou um “depois me escreve para dizer o que achou do livro”.

Dica da raposa para a vida: se for tímido demais, compre o seu contato com a pessoa que quer conhecer. Na pior das hipóteses, tu estará ao menos ajudando o cara a vender o trabalho dele.

Dica da raposa para a vida 2: se alguém quiser me conhecer comprando meus livros, sinta-se à vontade porque eu não mordo muito.