Há dois de mim em mim

Eu sou dois Tales. Pelo menos. De início eu achava que havia criado essa distinção como uma ferramenta útil para aprender a navegar no mundo, uma diferença entre quem eu era e quem eu gostaria de ser. Hoje, percebo que esses dois Tales dividem as decisões mais importantes da minha vida.

Um desses Tales, que chamo de canceriano para seguir o estereótipo astrológico e a própria ideia de acreditar em padrões de comportamento estereotipados, tem medo de ser rejeitado, abandonado e machucado. Ele é o tipo que foge do conflito e que acredita que a solução para seus problemas é a atenção e o carinho intermináveis vindos de outras pessoas. Quando deixado sozinho, o Tales canceriano sofre.

O outro Tales, que chamo de raposa, é um espírito livre e bem resolvido. Sabe o que quer, decide racionalmente, digere as emoções e entende que ciúmes são sintomas de necessidades que não estão bem cuidadas. Tales raposa sabe que estar sozinho não é um problema, tampouco algo permanente, e entende que é responsável por cuidar dos próprios sentimentos e necessidades.

O canceriano ganha prevalência quando não estou bem nutrido, seja de comida, seja de carinho e cuidado. Se estou frágil emocionalmente, o canceriano assume as rédeas de mim.

Quando estou bem comigo mesmo, convicto de minhas escolhas e, principalmente, nutrido, a raposa assume o controle.

Essa dança entre canceriano e raposa é interminável. Ela está aqui desde que me reconheço enquanto pessoa. Descobrir que a nutrição é o principal fator de diferença entre qual dos lados terá mais poder me ajuda a cuidar melhor de mim.

Eu prefiro a raposa, mas recorro ao canceriano quando me sinto ameaçado.

Qualquer que seja, está tudo bem. O jeito é ir aprendendo conforme a vida segue.


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