Este é o único caminho para criar conexão

Minha querida amiga Thayna Meirelles, durante um curso sobre a prática da Comunicação Não-Violenta, afirmou que o único caminho para criar conexão com outras pessoas é, antes de mais nada, ouvi-las primeiro, com atenção a seus sentimentos e necessidades.

Por experiência própria, concordo com ela.

A conexão é uma ponte extremamente poderosa e frágil. Se bater um vento errado, ela se rompe. Um vento errado pode surgir de qualquer lugar, mas geralmente vem dos nossos próprios julgamentos. Parece-me mais raro que a conexão entre duas pessoas seja rompida por ações intencionais. Em geral, percebo que são as ansiedades e interpretações que mais cumprem esse papel.

Ah, mas se eu estou magoado, triste, com raiva e a culpa é do outro, é ele quem deveria se mover para restaurar nossa conexão!

Culpa é uma interpretação. Dever é uma interpretação. “Ah, mas ontem…” é uma interpretação, já passou, não existe mais na experiência concreta do momento presente.

Recentemente, briguei com uma pessoa querida. Estávamos com um oceano de distância e tentando organizar uma relação que ainda era recente, mas à qual dedicávamos muita energia e, principalmente, muitas expectativas. Em dado momento, percebi que ambos estávamos bastante machucados e que poderíamos continuar assim até a ruína do que tentávamos criar. Eu queria que o resultado das nossas ações fossem diferentes, mas a outra pessoa não parecia interessada (ou capacitada) a mudar as ações e falas que tanto me machucavam.

Graças a um momento de consciência, percebi que eu poderia fazer isso, e então propus um momento de escuta. Eu queria saber o que se passava dentro dela naquele momento, as necessidades, os sentimentos, os julgamentos. Mais do que isso, eu queria voltar a me sentir conectado com ela.

A resposta começou fervendo, cheia de raiva, interpretações que não condiziam com as minhas, medos, expectativas… E aos poucos foi dando lugar para o que eu já havia experimentado antes: uma doçura de ser, uma tristeza pela briga, um receio de que as coisas não melhorassem… Até que enfim pudemos respirar e estávamos de novo juntos no momento presente, não mais cada um preso em elaboradas tramas mentais de culpa e raiva.

Ao ser o primeiro a parar e escutar, pode parecer que estou perdendo a discussão. Da forma como entendo o mundo, o que eu fiz foi consertar a relação e aumentar a qualidade de conexão entre nós.

Não vejo de que maneira isso poderia significar que eu perdi alguma coisa importante.


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