Detestadores de atividades físicas reunidos no Ibirapuera

Tu faz parte dos detestadores de atividades físicas?

Já tentei fazer atividades físicas algumas vezes na vida. Comecei com natação, eu virava um peixe toda vez que entrava na água, mas era sempre um problema chegar até a piscina. Em Porto Alegre, tinha que atravessar a cidade. Em Goiânia, o horário da aula era quase de madrugada (mentira, era nove da manhã, me deixa reclamar em paz). Em São Paulo nunca nadei porque o bolso não sustenta.

Durante os anos em que treinei Aikido, eu me sentia super bem e motivado, pelo menos até um veterano encrencar comigo e decidir que era o momento de eu “aprender de verdade”. Sem saber muito bem o que fazer, eu desisti, abandonei o tatame e nunca mais voltei (mas está nos planos de futuro retomar as artes marciais).

Teve também a vez que eu comecei a fazer caminhada. Durante três dias, fiz uns quatro ou cinco quilômetros entre descer ao Ibirapuera, percorrer a pista interna e voltar para casa. Caminhei até mesmo num dia de chuva, mas depois chovei mais forte e eu não fui. Tô esperando pra voltar até hoje.

E foi esperando para voltar, aliás, que recebi um convite inusitado dos “detestadores de atividades físicas”.

detestadores de atividades físicasQuando decidi aprender a desenhar, o caminho foi óbvio: reunir um grupo de pessoas interessadas para que eu tivesse companhia e motivação. Eu já havia experimentado esta lógica ao criar o Ninho de Escritores, então sabia que poderia funcionar se tivesse alguém conduzindo a experiência e mantendo a energia e o engajamento dos envolvidos. Chamo isso de “sustentar o campo”.

Penso que a Angélica, a pessoa fofa por trás dos detestadores, sentiu a mesma coisa. No lugar de desenho ou de escrita, a pedra no sapato dela são as atividades físicas. Ela criou o Movimento DAF e lançou o convite: “você detesta atividade física? Bom, você não está sozinho”.

E não estava mesmo.

Neste sábado, tive o prazer de conhecer um punhado de pessoas dispostas a detestar exercícios lado a lado, passo a passo, pequena vitória após pequena vitória. Além da Angélica, tinha a mãe dela, uma outra moça que perdera trinta ou quarenta quilos nos últimos anos, uma youtubber de São Caetano, um personal trainer que só veste roupas verde limão e mais um punhado de pessoas com as quais não tive oportunidade de conversar melhor – mas quero saber mais de suas histórias nos próximos encontros para compartilhá-las por aqui.

O plano era caminharmos quatro quilômetros. Nós conseguimos. Caminhamos, fizemos piadas, trocamos histórias, tivemos sol e calor no meio de uma semana chuvosa e fria.

Uma certeza ficou comigo depois deste evento: qualquer coisa, para acontecer, precisa apenas de uma pessoa inclinada a chamar por outras pessoas. O resto fica mais fácil porque se faz em grupo.

detestadores de atividades físicas 2

Como esta foto. :)

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