Cartas a um jovem terapeuta, de Contardo Calligaris

Cheguei a este livro por indicação de uma amiga; como tudo que sei poderoso, demorei-me a experimentá-lo. Tenho uma curiosidade forte pela psicanálise e um repúdio ainda maior por textos ensebados. O livro de Contardo Calligaris é gostoso de ler e toca questões significativas do processo terapêutico. Li-o em menos de 24 horas, dividido entre algumas sentadas (e deitadas). Isso não significa, nem de longe, que é um livro raso. Os temas abordados por ele são sementes para árvores de vidas longas, discussões e reflexões que seguirão muito além dessa (inevitavelmente, apenas primeira) leitura.

cartas a um jovem

Por meio do livro, encontrei encaminhamentos para algumas dúvidas que venho considerando. Hoje, no Estaleiro Liberdade, cheguei à conclusão de que preciso acreditar em quem sou e no que faço. Coisa óbvia, dã e tal, mas que requer lembrança constante. Junto com acreditar no que faço vem a certeza de que meu fazer transbordará valor para outras pessoas, seja como escritor (cujos textos sinceros afetarão leitores abertos), seja como amigo (capaz de ouvir e abraçar quem precise de ouvidos e abraços). Nessa linha, Contardo diz:

Confiou a ponto de autorizar-se a atender, continue.

Simples, sem dramas. Dúvidas existem e são parte de qualquer processo que se permita questionamento, sintoma de vivência saudável. Não quero certezas absolutas, mas isso não significa que preciso abrir mão de certezas. Estarei certo das coisas até o dia em que não estiver mais, e tranquilo o suficiente para aceitar essa possibilidade.

Porém, a fala que me deixou maiores marcas foi uma metáfora sobre como a vida deve ser experimentada:

Com seus altos e baixos, imagine nossa vida como uma breve passagem por um circuito de montanhas-russas. Quem atravessasse a experiência anestesiado, sem gritos, pavor e risos, teria jogado fora o dinheiro do bilhete.

Essa passagem foi forte para mim porque sempre tive medo de montanhas-russas e, ao mesmo tempo, com frequência passo pelas experiências sem estar aberto a gritar e me apavorar. São coisas em mim que desejo resolver, problemas que demandam atenção. É bom, para começar esse processo, colocá-lo numa estrutura narrativa. Um colega do Estaleiro Liberdade se apresentou dizendo que só viveria “o que pudesse ser incrível”. Gostei quando ouvi isso por inveja, porque queria dizer o mesmo. Quero levantar os braços e gritar loucamente quando chegar o frio na barriga.

O que, aliás, vem acontecendo já há algum tempo.

Obrigado!

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