Aprenda a ouvir além das palavras

Com a comunicação não-violenta, escolho pensar que tudo o que as pessoas fazem, elas fazem para cuidar de suas necessidades. A prática da CNV inclui, portanto, um exercício contínuo de tradução daquilo que pensamos, falamos e ouvimos. 

Fomos ensinados a falar e a interpretar o que ouvimos a partir de um viés violento, construído na base da culpa. Se um texto desagrada a uma pessoa, é comum ouvi-la dizer “esse texto está uma droga”. Se a ação de outro alguém a deixa frustrada, “você me decepcionou”.

Eu posso ouvir isso sobre meu texto ou sobre mim e comprar essa interpretação de que eu sou um ser humano falho, que não sabe escrever, que decepciona os outros. Essa é a interpretação comum.

Na comunicação não-violenta, aprendi a exercitar um outro olhar, que é o de reconhecer que essas falas são uma forma de expressão trágica sobre necessidades não atendidas.

“Esse texto está uma droga” pode ser uma expressão de uma necessidade de estética, coerência, cuidado. “Você me decepcionou” pode ser uma expressão de uma necessidade de carinho, amor, cuidado.

Se eu ouço “você me decepcionou”, posso me conectar com a culpa que fui ensinado a sentir ou posso procurar o que, dentro da outra pessoa, está doendo e carecendo de atenção. Se me preocupo com as necessidades dos outros, fica mais fácil me conectar com eles. Se eu compro a leitura de que o problema sou eu, entretanto, posso ficar preso dentro das minhas próprias elucubrações mentais e de todos os sentimentos que derivam delas.

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