A vida é laboratório

Em uma das minhas primeiras semanas como professor, lá em 2012, uma aluna manifestou em sala de aula que a carga de trabalhos na minha disciplina estava muito alta. Eu não gostei do tom de voz nem do que entendi como acusação e respondi que a escolha de fazer faculdade, considerando todas as dificuldades possíveis, era dela.

Na época, não pensei em escutá-la para saber de onde aquele apelo estava vindo nem como poderíamos trabalhar juntos para que minha preocupação com a formação dela pudesse ser bem cuidada sem desmerecer nem desconsiderar a sua trajetória de vida. Eu só queria defender a minha posição de autoridade como professor, na minha percepção desafiada por uma estudante revoltada.

Meses depois, na fila do xerox, ela me contou que estava pensando em sair da faculdade. Conversamos sobre isso, escutei seus motivos, fiz algumas perguntas sobre escolhas e possibilidades. Avança o tempo, recebo na minha festa de despedida um agradecimento dela: não fosse por você, eu teria deixado a faculdade.

Essa mensagem não veio por causa do nosso primeiro encontro, em que eu quis me provar certo. Ela veio porque, aprendendo a me relacionar com seres humanos, abri espaço para a escuta e para o interesse genuíno na vida de outro alguém. 

Eu era uma pessoa na primeira história e fui outra na segunda. Acredito sinceramente na possibilidade de pessoas se transformarem. Acredito, ainda, que isso fica mais fácil quando sabemos em direção a que desejamos mudar. Em 2012, eu não tinha tanta clareza disso. Hoje eu tenho e trato a vida como um laboratório para fomentar mais conexão.

Se algo não funcionou hoje, amanhã eu tento diferente e escolho sustentar aquilo que se encaixar pra mim. Esse é o lugar da comunicação não-violenta na minha vida: de algo que está dando certo para fomentar mais conexão, e sou muito grato por isso.

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