A parte difícil da comunicação não-violenta

Algumas coisas aconteceram comigo logo que comecei a aprender mais a fundo sobre comunicação não-violenta. A primeira é que passei a identificar frases com julgamentos moralizadores, minhas e especialmente de outras pessoas. “Isso é julgamento!” virou quase meu lema. A segunda coisa é que passei a ansiar mais por autonomia e liberdade, por fazer somente as coisas que têm sentido pra mim.

Nessa busca por autonomia e liberdade, logo ficou evidente que não apenas eu deveria ser livre para escolher, mas também as outras pessoas. E é aí que a coisa fica difícil. Como assim, os outros podem escolher coisas diferentes das que eu gostaria que elas escolhessem (ainda mais em relação a mim) e tudo estará bem?

Ser livre é fácil enquanto não respeito a liberdade alheia. Fazer o que se quer é fácil enquanto as pessoas fazem exatamente as coisas do jeito que eu queria que fizessem.

Mas todas as pessoas têm escolhas e são livres. As necessidades de todas elas importam – e se quero praticar a comunicação não-violenta, as necessidades de todas elas importam na mesma medida, sem ninguém abrir mão de nenhuma.

A parte difícil da comunicação não-violenta é entender que para realmente cuidar de todo mundo, leva tempo, gasta energia e às vezes as coisas acontecerão de uma forma muito diferente do que eu havia imaginado. E às vezes vai doer, porque passei décadas aprendendo a achar que as coisas deveriam seguir um roteiro específico.

A parte difícil da comunicação não-violenta é reaprender como ver, ser e estar no mundo.

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