A CNV não é a verdade

Um amigo antropólogo questionou a ideia de que “as necessidades humanas são universais”, uma das bases do pensamento da comunicação não-violenta. De acordo com ele, grupos humanos diversos podem ter conceitos, nomes e práticas muito variadas, inclusive em termos de necessidades.

Num primeiro momento, eu quis disputar a verdade dessa afirmação e indicar que sim, concordo com a CNV, acho mesmo que é universal.

Depois fez mais sentido para mim respirar fundo, dar um passo para trás e lembrar que a comunicação não-violenta propõe a saída do jogo de quem está certo? ou qual é a verdade? O que a CNV propõe é o jogo de como tornar a vida mais maravilhosa para todo mundo?, e usa alguns pressupostos como base para fazer isso acontecer.

A comunicação não-violenta é sobre aumentar a qualidade de conexão entre as pessoas. Todas as pessoas. Para isso, é útil pensar que todos temos necessidades universais, uma vez que isso abre espaço para que eu me conecte com qualquer ser humano a partir desse ponto em comum, exercitando a escuta e a atenção.

A CNV é uma estratégia e, portanto, uma escolha. Parece-me inteligente reforçar essa ideia na hora de falar sobre seus pressupostos, algo que pretendo incorporar em minha escrita, porque ideias duras e cristalizadas podem ser um obstáculo para a conexão.

Então vamos lá: a CNV envolve a escolha de pensar que os seres humanos possuem necessidades universais a partir do entendimento de que isso ajuda a fomentar a conexão entre as pessoas. Enquanto esse referencial for útil e cumprir seu propósito, fará sentido para mim.


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